O Paulo Pinto Mascarenhas estranha que eu "diabolize um instituto como o referendo (...) tornando-o menos representativo da opinião dos portugueses que o parlamento". Eu estranho a estranheza do Paulo Pinto Mascarenhas. Desde logo porque nunca "diabolizei" o instituto do referendo. Já o Paulo apelidou a hipotética aprovação parlamentar do casamento homossexual uma decisão "à socapa, nas costas do povo", o que é, convenhamos, a tirada mais próxima da diabolização do que quer que seja nesta troca de argumentos.
Por outro lado, nunca secundarizei a legitimidade do referendo face ao Parlamento: pelo contrário, defendi expressamente que "o procedimento parlamentar tem tanta legitimidade quanto o recurso ao referendo", o que implica evidentemente que o recurso ao referendo tenha tanta legitimidade quanto o procedimento parlamentar. Daqui decorre que a inferência que o Paulo faz - o Vasco deve ser contra qualquer tipo de referendo - está errada. Admito o recurso ao referendo, desde que haja claras vantagens em recorrer a ele face ao procedimento legislativo habitual. Até agora, pouco ouvi sobre isso.
Por último, estranho tanto activismo por um referendo em que o Paulo conta... abster-se. Note-se que se o referendo nesta matéria vier a acontecer, também eu me absterei (ou por outra, votarei branco), em protesto contra uma classe política que não é capaz de dar resposta às questões que lhes são colocadas, e que passa a batata quente a um eleitorado que tem mais o que fazer do que preocupar-se com questões que poderiam perfeitamente ser resolvidas no Parlamento. Se houver muitos como o Paulo e eu - e costuma haver mesmo muitos - o referendo não será vinculativo, a questão voltará ao Parlamento, e tudo isto terá servido para nada. A não ser para perder tempo e dinheiro. Coisas que o País tem de sobra.
sobre o autor
Vasco Campilho tem 32 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico, Eleições 2009 (Público), Câmara de Comuns e Papa MyZena. Actualmente, escreve no 31 da Armada e no Aparelho de Estado (Expresso).






Comments on this entry are closed.