Há uns meses largos, fiz uma série de posts (este, este, este e este) sobre o sistema de partidos português, baseados nas sondagens da altura. O ponto de partida da minha análise era o seguinte:
Do ponto de vista sistémico, importa pouco saber se é o PS ou o PSD que vai à frente. Importa muito mais saber se o bipartidarismo imperfeito que assegurou alguma estabilidade governativa desde 1987 tem condições para se manter ou não. No meu entender, o ponto crítico são os 70% de intenções de voto: se o conjunto PSD-PS baixar desse nível, estaremos face a uma mudança sistémica na vida política portuguesa.
A soma do conjunto PSD-PS nas eleições de ontem foi 65,65% dos votos expressos. A mudança sistémica acabou de ocorrer.
sobre o autor
Vasco Campilho tem 32 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico, Eleições 2009 (Público), Câmara de Comuns e Papa MyZena. Actualmente, escreve no 31 da Armada e no Aparelho de Estado (Expresso).





{ 2 comments }
Não será uma análise um pouco precoce, meu caro?
Foi a primeira vez que isto ocorreu desde 85…
Acho que deviamos esperar mais quatro anos para confirmar tendências sistémicas…
Não é precoce na medida em que quando falo de mudança sistémica, não me refiro a realinhamentos eleitorais mas sim ao sistema de partidos no Parlamento. Enquanto este Parlamento durar, temos um sistema multipartidário com um pivot hegemónico. Veremos se esse sistema gera condições para se perpetuar por mais de uma legislatura ou não. A minha aposta é que não gerará.
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