
O Apelo à Reavaliação do Investimento Público fez mossa, não haja dúvida. Não só pelo conteúdo - que não se afasta muito do que a oposição vinha a defender - mas sobretudo pela credibilidade de quem o fez. Nomes como Daniel Bessa e Augusto Mateus, para citar apenas dois, são duas setas apontadas ao coração do governo socialista.
Justamente porque o que está em causa é a credibilidade dos promotores do apelo, as reacções socratianas - não digo socráticas porque até agora o grande líder, na sua novel humildade, não piou - foram no sentido de por em causa os mensageiros, mais do que a mensagem. Economistas? Nada disso. Há lá engenheiros e até um que não é licenciado. Pessoas responsáveis? Justamente: esses ex-ministros quando lá estiveram não fizeram nada para resolver os problemas da nação. Pessoas credíveis? Ó meus amigos: uma cambada de consultores subsidio-dependentes que estão já a por-se a jeito para as benesses do novo poder.
Estas alegações de grande elegância têm sido rebatidas, e bem rebatidas, por quem de direito. Interessa-me aqui outra perspectiva: e se os críticos do apelo tiverem razão? E se de facto este manifesto for o primeiro sinal de que os ratos estão a abandonar o navio? O que é que isso diz sobre o navio em que se encontram?
sobre o autor
Vasco Campilho tem 32 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico, Eleições 2009 (Público), Câmara de Comuns e Papa MyZena. Actualmente, escreve no 31 da Armada e no Aparelho de Estado (Expresso).





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