Arquivo de artigos sobre as eleições Mundo

A crucial underpinning of fiscal and households profligacy was as much absurd spending practices as absurd lending practices, as financial markets loosened their lending standards in the years leading to the crisis. This behaviour was legitimised by the assumption that the EU and the eurozone would never afford to let one of its members fail – in contradiction with the no bail out clause of the Treaty. As this assumption proved correct, Europe has become schizophrenic and its policy interventions kept on challenging the letter and the spirit of the Treaty. Looking forward, the only way to reinstate a coherent policy is to balance the no bail out clause with a credible alternative. It is also an essential element to ensure that in the case of crisis, reckless lenders come to bear as much of the adjustment cost as irresponsible spenders.

Shahin Vallée e Jérémie Cohen-Setton, no FT Alphaville.

{ Comments on this entry are closed }

Ainda sobre a burqa.

15 de Julho de 2010 | Mundo,Sociedade

I’ve heard Muslim friends speak out against face veiling time and time again, and when they say it, I sit back and listen, take it all in.  But when it comes from a white male?  That’s patriarchy I just can’t get with.

Agradeço ao @jmcesteves ter-me enviado esta pérola. Agora já sei que para falar de burqas e niqabs também tenho que tapar a cara: parece que nasci com a combinação errada de côr e de género.

{ Comments on this entry are closed }

Agenda da semana.

29 de Junho de 2010 | Economia,Mundo

the Presidential election taking place in Germany on Wednesday (a vote that is increasingly seen as a vote of confidence in the government), while Thursday sees both a Spanish Government bond auction and the expiry of the ECB’s EUR 442 Bn in on-year loans to 1,121 Eurozone banks (the ECB will be meeting in full banks’ demands for three month liquidity on Wednesday, and then on Thursday it will offer unlimited funds for six days). As all three events have the potential to significantly unsettle the currency markets, the latter part of this week could be worth watching closely.

Para além do jogo Portugal-Espanha desta noite e do jogo PT-Telefónica de amanhã, claro.

{ Comments on this entry are closed }

Um equívoco frequente na coordenação de políticas económicas é pensar que todos os países envolvidos devem ter as mesmas políticas. Na actual conjuntura, é evidente que a política orçamental recomendada para a Alemanha é completamente diferente das recomendadas para Portugal e Grécia.

O Pedro Braz Teixeira tocou no ponto essencial do debate económico europeu: coordenação não quer dizer “todos a fazer a mesma coisa” mas sim “cada um a fazer a sua parte”. Infelizmente a consciência da necessidade de políticas orçamentais diferenciadas na Europa tem demorado a instalar-se nas mentes dos líderes políticos e económicos. Em 2009, o consenso era que todos os países tinham de ser solidários e estimular a economia, independentemente do seu perfil deficitário ou excedentário. Na altura cheguei a perguntar a André Sapir o seguinte: estando Portugal com uma situação orçamental tão degradada, não faria sentido sermos free-riders do estímulo europeu e aproveitar para consolidar a nossa situação orçamental? Que não podia ser, respondeu o economista, porque isso ia destabilizar o consenso europeu. Não durou muito a inverter-se o consenso europeu,  e agora estamos todos solidários nos cortes orçamentais independentemente das circunstâncias de cada um. Será preciso a Europa verificar na pele que esta política é tão errada e insustentável como a anterior para se dotar dos meios para uma verdadeira coordenação de políticas económicas?

{ Comments on this entry are closed }

German austerity will worsen the crisis in the euro area, making it that much harder for Spain and other troubled economies to recover. Europe’s troubles are also leading to a weak euro, which perversely helps German manufacturing, but also exports the consequences of German austerity to the rest of the world, including the United States.

Este artigo de Paul Krugman parece indicar que a preferência alemã pela austeridade tem um fundo cultural – argumento que fica mais claro com este post – que resiste à consideração das reais consequências dessa escolha. O que levaria o governo alemão a enferrar-se no paradoxo das consequências teorizado por Max Weber. Mas o parágrafo acima sugere que as reais consequências  possam estar mesmo a ser consideradas e aceites justamente na medida em que recaem principalmente sobre terceiros. Não sei qual das duas hipóteses é pior.

{ Comments on this entry are closed }

(…) a decision to turn the eurozone into a huge Germany would – and should – be seen as an act of mercantilist warfare upon the US. How long would the latter put up with the hypocrisy of surplus countries that blame borrowers for the deficits their own surpluses make inevitable? Not much longer, would be my guess, at least now that the US government has become the world’s borrower of last resort.

Martin Wolf, sobre isto. A nossa crise não se resolve mesmo só cá dentro: das decisões que forem tomadas ao nível da zona euro dependerá o sucesso de qualquer estratégia de crescimento que venhamos a pôr em prática (para já não temos nenhuma, porque a que foi sufragada pelas urnas – spend your way out of the crisis – falhou). Se quisermos crescer pelas exportações para fora da zona euro – o que faz sentido, sendo Portugal uma economia pequena, aberta e periférica na Europa – temos todo o interesse em aliar-nos a quem quer travar a deriva mercantilista da Europa. Porque o backlash proteccionista contra a zona euro afectaria em primeiro lugar… pois, Portugal.

{ Comments on this entry are closed }