O empréstimo de Costa: um ano depois

17 de Dezembro de 2008 | Destaque,Lisboa,PSD

Já passou um ano desde que António Costa ameaçou demitir-se se não obtivesse um empréstimo de 500 milhões de euros para pagar dívidas a fornecedores. Este vídeo resume bem o choradinho que se fez ouvir à época. O que aconteceu desde então? Caiu o Carmo e a Trindade? Hordas de credores em desespero invadiram a praça do Município? A cidade entrou numa paralisia irremediável? Não.

Mas o certo é que António Costa não obteve os 500 milhões sem os quais adviria o apocalipse. E nem sequer se pode queixar do PSD: é verdade que os sociais-democratas avisaram que um empréstimo de 500 milhões seria chumbado pelo Tribunal de Contas. Verdade também que apresentaram um plano alternativo* que permitia respeitar a Lei das Finanças Locais – a tal que António Costa elaborou enquanto Ministro da Administração Interna.  Mas, perante a irredutibilidade do presidente da Câmara, e para não serem acusados de obstaculizar a governação da cidade, viabilizaram um empréstimo de 400 milhões.

Simplesmente, o Tribunal de Contas – tal como o PSD previra – chumbou esses 400 milhões. O que quer dizer que, do empréstimo aprovado nos termos que Costa pediu, Lisboa não viu um tusto. Pior: sabemos agora que a Câmara Municipal gastou mais de 100 mil euros em pareceres para responder ao Tribunal de Contas (coisa pouca, para a esquerda jugular…) no âmbito desse mesmo empréstimo.

De toda esta novela sobra uma dúvida, uma certeza, e uma perplexidade. A dúvida: para que eram afinal precisos os 500 milhões? A certeza: António Costa nem sabe as leis que faz. A perplexidade: que foi feito da demissão prometida caso o empréstimo não fosse aprovado?

_____

*a um empréstimo inferior ao limite imposto pela lei adicionava-se a criação de um fundo imobiliário envolvendo os grandes credores na área da construção na reabilitação do património devoluto da CML. Dois coelhos de uma cajadada só.

sobre o autor

Vasco Campilho tem 32 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico, Eleições 2009 (Público), Câmara de Comuns e Papa MyZena. Actualmente, escreve no 31 da Armada e no Aparelho de Estado (Expresso).

Todos os artigos de Vasco Campilho

Comments on this entry are closed.