
Tenho dito aqui que as eleições europeias, enquanto eleições de segunda ordem, têm uma dinâmica essencialmente nacional e não europeia. Sublinhei em particular o facto de essas eleições terem um impacto diminuto sobre as escolhas politicas a nível europeu, sobretudo se comparado com o impacto que podem ter no ciclo eleitoral nacional.
Mantenho, naturalmente, o que disse, mas reconheço que há uma excepção: estas eleições vão de facto ter influência na escolha do Presidente da Comissão Europeia. Basicamente, a coisa vai-se passar assim: se o Partido Popular Europeu tiver o maior número de mandatos, Durão Barroso – candidato indigitado pelo PPE – será reconduzido pacificamente. Mas se o Partido dos Socialistas Europeus vencer, a coisa será mais complicada. Desde logo porque esse partido ainda não encontrou um candidato, nem é provável que indigite alguém antes das eleições. Mas também porque vários chefes de Governo do PSE já disseram que apoiavam a recondução de Durão Barroso. No entanto, o mais provável será que uma vitoria do PSE signifique que Durão Barroso não venha a ser reconduzido como Presidente da Comissão.
Para o eleitor português, a ilação a tirar é clara: um voto no PS é um voto contra Durão Barroso na Comissão Europeia.
O facto de José Sócrates apoiar a recondução de Durão Barroso não belisca esta conclusão: a verdade é que, quando na noite de 7 de Junho se contarem os votos, os eurodeputados eleitos pelo PS serão somados a todos os outros socialistas europeus. E se eles forem os mais numerosos, lá se foi a reeleição de Durão Barroso. O facto de vários eurodeputados do PS já se terem manifestado contra a reeleição de Durão Barroso é igualmente irrelevante. Até podiam ser todos a favor: seriam na mesma contados como parte do PSE.
Mas deverá o eleitor português favorecer Durão Barroso apenas porque este é português? Não: deve favorecer Durão Barroso porque é um português que está a fazer um bom trabalho pela Europa, reforçando por isso mesmo a posição e os interesses de Portugal na Europa e no Mundo. Por isso, no dia 7 de Junho, vota Durão Barroso.
sobre o autor
Vasco Campilho tem 32 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico, Eleições 2009 (Público), Câmara de Comuns e Papa MyZena. Actualmente, escreve no 31 da Armada e no Aparelho de Estado (Expresso).





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