
O amido de milho nunca foi a papa da minha infância: o que mais havia em casa era Nestum, Cérélac, ou flocos da Nacional. Ocasionalmente a minha mãe lá me cozia uma dita cuja para o lanche. Nesses dias era uma festa. Recordo com especial nostalgia o rapar do tacho… bons tempos. Só mais tarde me apercebi que se tivesse passado a minha infância a comer a papa recomendada para engordar currículos, hoje poderia ser deputado da Nação, quiçá até secretário de Estado. As minhas papas foram outras: eis-me portanto blogger.
Enquanto blogger, nunca escondi as minhas motivações políticas, de tal forma que tenho sido regularmente referido como um blogger do PSD. O que não deixa de ser verdade. Mas acho sempre muito curiosa a forma como a maior parte das pessoas encara o apoio a um partido: é como se por se comprometer politicamente uma pessoa deixasse de pensar. Já me aconteceu dizerem-me: “ah mas tu pensas isso porque és do PSD.” Dá-me sempre vontade de responder: “não, eu sou do PSD porque penso isto.” Uma diferença tão óbvia e tão mal compreendida.
Evidentemente, apoiar um partido, dar a cara por um projecto político, atravessar-se por uma candidatura, tem custos. Custos em (des)ilusão, que os mais cínicos dirão inevitável e que os mais realistas sabem ser provável. Custos em simpatia, porque não se pode agradar a toda a gente quando se assume escolhas.claras. Custos em liberdade, porque há sempre uma margem que se tem de ceder em troca da força que o colectivo empresta. Na política como em tudo, cabe a cada um saber os custos que está disposto a assumir.
A contrapartida desses custos é poder agir em nome de convicções a uma escala que ultrapassa largamente a esfera individual. E isso é o que eu tenho vindo a fazer desde que ingressei no PSD há uns quatro anos. Até agora, parece-me que fiz um bom negócio: aprendi muito e ainda não me desiludi em excesso; conheci imensa gente e ainda não perdi amigos por causa de política; e dei muito pouca liberdade em troca de bastante “acção” (felizmente, não no sentido chucknorriano do termo).
O partido é perfeito? Não há partidos perfeitos. Mas para além de acolher adequadamente as minhas perspectivas políticas, o PSD é o único instrumento disponível para afastar do poder o nosso governo-Potemkine. Assim sendo, convido todos os que estão empenhados em fazer acontecer uma real mudança de protagonistas e de políticas em Portugal a servir-se do PSD sem moderação. A boa notícia é que podemos começar a fazê-lo já a 7 de Junho.
sobre o autor
Vasco Campilho tem 32 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico, Eleições 2009 (Público), Câmara de Comuns e Papa MyZena. Actualmente, escreve no 31 da Armada e no Aparelho de Estado (Expresso).






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