Mesmo assim as pessoas votam

3 de Abril de 2009 | Política

Apesar de todas as razões que tornam as eleições europeias desinteressantes para os eleitores, quase metade dos Europeus acabam por votar nelas. Visto desta perspectiva, o resultado não é assim tão desanimador para os defensores – entre os quais me conto – da integração europeia.

Mas porque é que as pessoas se dão ao trabalho de votar nas europeias? Provavelmente haverá tantas razões quantos  os votantes. Correndo o risco da simplificação excessiva, diria que há quem vote nas europeias:

  • simplesmente porque sim: afinal o voto é um direito, mas também um dever cívico.
  • por identificação partidária: nunca perco uma ocasião de apoiar o meu clube partido.
  • a propósito de um tema específico: deixa-me cá apoiar esta malta em quem não costumo votar mas que até diz umas coisas acertadas sobre deslocalizações/imigração/energia nuclear/igualdade de género/whatever.
  • por entusiasmo ou rejeição pela União Europeia: viva/morra o federalismo europeu!
  • em sinal de protesto: nas legislativas tenho de ponderar bem as consequências do meu voto, mas nas europeias aproveito para os mandar dar a volta ao bilhar grande.

Haverá também outras razões que não mencionei. Note-se, no entanto, a ausência de uma motivação chave: decidir quem governa. Esta é a motivação que tantas vezes disciplina e alinha as restantes motivações em eleições de primeira ordem. Na sua ausência, o comportamento eleitoral liberta-se. Muita dessa libertação vai parar à praia – isto é, à abstenção. Mas uma parte leva à variação dos resultados.

sobre o autor

Vasco Campilho tem 32 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico, Eleições 2009 (Público), Câmara de Comuns e Papa MyZena. Actualmente, escreve no 31 da Armada e no Aparelho de Estado (Expresso).

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