
No dia em que a Alemanha salvar da bancarrota um ou vários países da zona euro, a natureza da União Europeia mudará radicalmente. Não é ainda claro o que emergirá dessa mudança. Mas uma coisa é certa: o reforço dos países mais populosos e dos países mais ricos (isto é, essencialmente da própria Alemanha) vai-se aprofundar.
Resta saber por que via. Consigo vislumbrar duas: uma passa por colocar sob tutela os países beneficiários da intervenção financeira. Portaram-se mal, gastaram o que tinham e o que não tinham, não se governam nem se deixam governar? Pois agora fazem como nós dizemos, e é se querem continuar na Europa e com alguns (poucos) euros no bolso.
A outra via passa por consagrar ao nível das próprias instituições europeias que quem paga manda. Neste momento, a representação dos diferentes países encontra-se num ponto intermédio entre o “um país, um voto” e “um homem, um voto”. Não estou a ver que países na bancarrota encontrem forças para se opor a que se se opte por um ponto intermédio entre “um homem, um voto” e “um euro, um voto”.
Nenhum dos dois cenários é famoso para Portugal. No primeiro, não escaparemos à suspensão mais ou menos prolongada da nossa soberania. No segundo, perderemos o peso político que nos resta na Europa de uma forma menos brutal, mas mais permanente.
Será que ainda se podem evitar estes cenários? Quero crer que sim. Mas para isso, é preciso fazer três coisas:
- Desde logo, parar de cavar – um conselho útil a qualquer um que se encontre num buraco. Se os desequilíbrios externos nos estão a colocar à beira da bancarrota, convém pelo menos tentar não os agravar.
- Depois, aprovar o tratado de Lisboa de modo a fechar a discussão institucional durante uns anitos. Os irlandeses, que também não devem estar interessados em ser votados à total irrelevância, talvez pudessem atinar-se e fazer esse favor ao resto da malta.
- Finalmente, trabalhar ao nível comunitário – e não puramente intergovernamental – para que seja criada uma política económica europeia que vá além da simples tentativa de coordenar as políticas económicas nacionais. É aqui que termos o nosso homem em Bruxelas pode fazer a diferença, se ele compreender que se trata de uma evolução que é não apenas importante para a Europa, mas vital para Portugal.
Eu sei que é um programa ambicioso. Mas a alternativa é deixar que a Europa se transforme numa espécie de Großdeutschland.
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Liebe deutschsprachige Leser,
nachdem ich diesen Beitrag auf meinem Blog veröffentlicht habe, fiel mir auf, dass dessen Titel einen offensiven Beigeschmack für deutsche Bürgen haben könnte. Mir war die Komplexität der Bedeutung dieses Ausdrucks nicht bewusst. Es war in keinsterweise meine Absicht, eine Verbindung zwischen dem heutigen Deutschland und der Vergangenheit, auf die der Begriff verweist, herzustellen. Ich möchte mich deshalb bei Ihnen für dieses Missverständnis in aller Form entschuldigen.
sobre o autor
Vasco Campilho tem 32 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico, Eleições 2009 (Público), Câmara de Comuns e Papa MyZena. Actualmente, escreve no 31 da Armada e no Aparelho de Estado (Expresso).





{ 1 comment }
Vasco. Grande novidade. O Tratado de Lisboa tem vários vicios de forma, mas assegura que a dimensão é importante no processo de tomada de decisões (relegar os grande paises para um plano igual aos pequenos só com uma fórmula de União com duas Camaras representativas : uma pela dimensão outa pela individualidade) e é o mesmo que querer que o ‘peso’ decisório dos deputados por Beja seja igual ao dos deputados por Lisboa (apesar do numero ser diferente). Chegou, finalmente, a hora de serem tomadas decisões sobre a organização politica e administrativa da União em que, pelo menos as questões da solidariedade, sejam pesadas.
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