Desafios da democracia portuguesa

25 de Abril de 2009 | Política,Portugal

O convite da Rádio Renascença para debater esta sondagem na companhia de Assunção Cristas, João Tiago Silveira e Paula Sobral Santos levou-me a tentar organizar um pouco o meu pensamento no que respeita à apreciação que faço sobre o estado da democracia portuguesa. Aproveito assim para deixar aqui algumas notas que sintetizam o que disse no programa (pode ouvir aqui).

Os resultados da sondagem divulgada ontem não são nada animadores, mas nem por isso são novos ou surpreendentes. Identifica-se sobretudo uma relação dos cidadãos com o sistema político – e em particular com os partidos – marcada pela desidentificação, pela desafeição, pela distância e pela desconfiança. Os inquéritos apresentados por Pedro Magalhães e Mariano Torcalnum artigo recente revelam por outro lado que os portugueses apoiam generalizadamente a forma democrática de governo – em abstracto – mas têm um baixo nível de satisfação com a democracia em concreto.

A minha conclusão é que os portugueses são democratas e querem mais e melhor democracia; mas não estão satisfeitos com a forma como a democracia funciona, nem confiam nas suas instituições e agentes. Reforçar a confiança nas instituições e nos agentes políticos, e aumentar a satisfação com os resultados que o sistema democrático oferece aos cidadãos – são esses os grandes desafios da nova etapa que tem de se abrir na vida democrática portuguesa.

Soluções para esses desafios? ficam para outros posts.

sobre o autor

Vasco Campilho tem 32 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico, Eleições 2009 (Público), Câmara de Comuns e Papa MyZena. Actualmente, escreve no 31 da Armada e no Aparelho de Estado (Expresso).

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