O Bloco Central de Pacheco Pereira

6 de Maio de 2009 | PSD, Portugal

Está cada vez mais difícil levar Pacheco Pereira a sério. A sua recente incursão pelo humor indicia, aliás, novas e aliciantes perspectivas de carreira: com base no que já produziu, as Producções Fictícias não o enjeitariam como guionista d’Os Contemporâneos. Já as suas perspectivas como analista político-mediático me parecem cada vez mais sombrias.

O último exemplo de análise fantasista é a série de posts “O Bloco Central dos Jornalistas” (aquiaquiaqui). A reflexão pachequiana sobre o tema parte da seguinte perplexidade: “porquê esta obsessão nos órgãos de comunicação social por uma matéria de arranjo político puramente hipotético?” A resposta é a do costume: a culpa é dos malandros dos jornalistas que, vejam lá, andam por aí em matilha e até falam uns com os outros.

Para Pacheco Pereira, só se fala em Bloco Central em Portugal porque os jornalistas não têm mais nada que fazer do que inventar cenários  e torturar políticos até que lhes escape alguma frase sobre o assunto. Pior: sobre essas frases, atrevem-se a fazer - horresco referens! – interpretações. Se fizessem decentemente o seu trabalho, os srs. jornalistas deviam limitar-se a reportar o que os políticos dizem sobre os cenários de que lhes interessa falar. De outra forma, estarão a fazer prova de uma “teimosia corporativa em manter temas de uma agenda própria, autónomas do espaço exterior político e social.”*

Pelos vistos não ocorre a Pacheco Pereira que, nas redacções,  há pessoas que sabem pensar pela sua cabeça.  Pessoas que percebem que, se nenhum partido obtiver uma maioria parlamentar – como as sondagens actualmente indicam -  vai ter de haver entendimentos para viabilizar o próximo Governo. Pessoas que compreendem que, por mais que os partidos pretendam salvaguardar a sua margem de manobra e a sua capacidade de mobilização pré-eleitoral, há interesse jornalístico em questioná-los sobre diferentes cenários pós-eleitorais. Ora, não é a esses jornalistas que compete excluir o cenário “Bloco Central” do debate. É aos partidos que compete posicionar-se com clareza quanto a ele.

Haverá quem pense que é em defesa de Manuela Ferreira Leite e do PSD que Pacheco Pereira inventa análises deste calibre.  Mas nem o partido nem a sua líder beneficiam com tentativas de intimidar a comunicação social. Neste tema como em todos, o PSD deve levar a sério a política de verdade. E a verdade é que  independentemente das pressões que possa vir a haver, o PSD tem excelentes razões para recusar participar num Bloco Central.  Basta explicá-las, e todos as entenderão. A vitimização é que não leva a lado nenhum.

_____________________________________

* Pergunto-me o que diria Pacheco Pereira da cobertura do caso Freeport se ela fosse guiada por este tipo de critério. Será que o célebre DVD fazia parte da agenda do espaço exterior político e social antes da sua existência ser divulgada?

sobre o autor

Vasco Campilho tem 32 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico, Eleições 2009 (Público), Câmara de Comuns e Papa MyZena. Actualmente, escreve no 31 da Armada e no Aparelho de Estado (Expresso).

Todos os artigos de Vasco Campilho

{ 1 comment }

1 Luís Pedro Machado 5 de Fevereiro de 2010 , 17:48

@vascocampilho Basta uma rápida pesquisa no Google para constatar o teu respeito pelo #JPP: http://bit.ly/bG9bYJ

Comments on this entry are closed.