Isto não é análise política: é sim um processo de intenção. Afinal, o que é que há de mirabolante – concordando-se ou não – em dizer que TGV sim, mas não agora? Não passa pela cabeça do Bruno Alves que aquilo que ele chama de “habilidade” seja a posição substancial de Pedro Passos Coelho quanto ao TGV?
Já agora, deixem-me fazer uma “análise política” a este caso: Bruno Alves sabe bem que a posição de Passos Coelho sobre o TGV não tem nada de táctico. Mas isso não interessa à sua agenda política, que passa por uma purga daquilo a que ele chama o “partido autárquico” no PSD. Bruno Alves sonhou um dia que Manuela Ferreira Leite seria o instrumento dessa purga, e Passos Coelho o cordeiro sacrificial da purificação do PSD. Mas face aos sinais de pacificação interna, Bruno Alves apercebeu-se de que o seu projecto não passava de uma miragem. In extremis, tenta criar factos políticos a partir de ar puro, de forma a despoletar uma dinâmica de luta faccionalista que favoreça a purga que ele prossegue. Evidentemente não vai conseguir, porque os três protagonistas das directas de Maio passado já demonstraram o seu empenho em não fomentar um clima de divisão em ano eleitoral. Talvez tenha algum eco na blogosfera, mas pouco mais.
sobre o autor
Vasco Campilho tem 32 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico, Eleições 2009 (Público), Câmara de Comuns e Papa MyZena. Actualmente, escreve no 31 da Armada e no Aparelho de Estado (Expresso).






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