O PSD tem que apostar numa nova ambição para Portugal. A crítica ao Governo, mais do que bem-vinda, é necessária. Mas se não for acompanhada de uma perspectiva de futuro, acaba por se resumir a um exercício estéril do ponto de vista dos resultados eleitorais. Na política como na lavoura*, para ter uma boa colheita há que lavrar, mas também há que semear. E no tempo certo.
A verdade é que para as próximas eleições, a época da sementeira já vai muito adiantada e o PSD ainda anda de enxada na mão a amanhar a terra. No futuro teremos de reflectir muito bem sobre o que se passou com o PSD, não durante a liderança deste ou daquela, mas sim durante toda a legislatura que se está a terminar. Mas para já a hora é de correr atrás do prejuízo que o PSD infligiu a si próprio e tentar semear o que ainda for possível.
Com o artigo que publicou no Jornal de Negócios e que a plataforma Construir Ideias reproduz, Pedro Passos Coelho aponta “um caminho coerente e diferente para trilhar”, sem soundbytes mas com propostas amadurecidas e orientadas para dois objectivos de longo prazo: inverter o actual perfil de poupança pública e privada e atingir um novo compromisso, mais equilibrado e transparente, de direitos e deveres entre os cidadãos e o Estado. É assim que se semeiam bons resultados eleitorais: centrando o debate político nas nossas propostas. Ainda iremos a tempo de ver a seara a crescer?
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*reparem no estilo marialva que se apoderou de mim desde que entrei para o 31.
sobre o autor
Vasco Campilho tem 32 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico, Eleições 2009 (Público), Câmara de Comuns e Papa MyZena. Actualmente, escreve no 31 da Armada e no Aparelho de Estado (Expresso).






{ 4 comments }
o problema não é só a enxada ainda a amanhar a terra em tempo de semeio: é que a agricultura actual não se compadece de técnicas arcaicas: ou há tractores ou o produto nunca será competitivo.
Interessante avatar, Catarina. Acrescentaste uma dimensão à analogia que eu fiz, e com razão: mesmo que o tempo fosse o certo, precisávamos de ter a lavoura mais mecanizada.
Olá, Vasco. Concordo aqui com a Catarina, da necessidade da mecanização e, mesmo sendo “benfiquista” só pelo Eusébio da minha infância, gosei do “avatar”… Gostei da entrevista do PPC que li recentemente no Público e até posso concordar que possa vir a tornar-se um político influente no PSD. Para já, acho que o PSD ganha estando receptivo e em acolher a sua colaboração. Agora ´necessária a coesão do grande grupo, esse é o passo a dar agora, construir essa coesão. Diversidade criativa ma com um objectivo prioritário comum: ganhar as próximas eleições legislativas. (Em relação ao seu último comentário, Vasco, evite se possível esse vovabulário tão obsoleto: “enxada” e “marialva”. Já “semear” á mais aceitável.) E desculpe lá ser tão chata!
Cumprimentos. Ana
Vasco,
Eu acho que o problema é que o PSD ainda nem pegou na enxada!
Para mim o PSD perdeu o jeito para a “lavoura” política.
Para voltar a ser algo perecido com o que foi no passado deve, na minha opinião, decidir o que quer plantar, escolher a terra e as ferramentas e depois então trabalhar a terra.
Abraço.
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