Uma nova força.

22 de Janeiro de 2010 | PSD,Portugal

Do livro de Passos Coelho não falo ainda porque não o li – reservei o fim de semana para essa tarefa, possivelmente numa esplanada à beira-Tejo com um Earl Grey a fumegar à minha frente. Apenas deixar uma nota sobre o que aconteceu ontem. Entre o lançamento do livro Mudar na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos e a Grande Entrevista na RTP1, aquilo a que o país assistiu foi a uma manifestação de força.

Força política, em primeiro lugar: mais do que a enchente na sala Almada Negreiros, onde os 200 lugares sentados não chegaram para acolher sequer metade dos que lá acorreram, o que impressionou foi a abrangência do evento. Comentaram comigo o seguinte: “Pelos vistos a união do Partido fez-se hoje… está cá tudo!” De facto vi muitas caras que não esperava ver,  tanto nos notáveis como nos militantes menos mediáticos. Quererá isso dizer que todos agora apoiam Passos Coelho? Muitos apoiarão, outros não: mas todos sentiram que não podiam deixar de estar presentes. A diferença com 2008 é clara, e ainda nem estamos em campanha.

Força das ideias, em segundo lugar: não vou antecipar o conteúdo do livro – como não o fizeram Rui Ramos e Pedro Passos Coelho, oradores no lançamento de ontem – até porque como já disse ainda não o li. Mas o que resultou claro, tanto da intervenção de Passos Coelho como sobretudo da apreciação de Rui Ramos, é que o livro apresenta um caminho para o País. Um caminho delineado com base na matriz de valores que Passos Coelho construiu no seu percurso de vida. Um caminho que atenta à especificidade da situação portuguesa na sua espessura histórica e no actual contexto de transformação global. Um caminho assumidamente não-socialista, com orientações claramente alternativas aos dogmas do regime e prioridades transparentemente assumidas de reforma do Estado, das políticas sociais e da Justiça.

Por último, força anímica foi o que demonstrou Passos Coelho na sua Grande Entrevista. É certo que a entrevista se centrou excessivamente na política partidária – o que apenas poderá ser imputado à entrevistadora, que cortou cerce qualquer possibilidade de abordar temas de interesse nacional, à excepção da negociação orçamental. Mas também é certo que é nesse terreno da política pura que melhor se revelam as qualidades pessoais da liderança. Vimos um Passos Coelho firme nas suas opções, destemido face aos seus críticos, e simultaneamente aberto ao debate plural que o PSD tem de reanimar. Vimo-lo apontando claramente as suas diferenças relativamente à direcção cessante tanto no que respeita à vida interna do Partido como à condução da estratégia de oposição; mas vimo-lo sobretudo demarcando claramente as águas face ao socialista José Sócrates. E tudo isto sem resvalar para as apreciações pessoais e de carácter que têm contribuído para a podridão que afasta os portugueses da política.

Aquilo a que ontem o País assistiu foi ao início de uma nova fase na vida política portuguesa: uma fase em que esta força que é agora evidente tem a oportunidade de revitalizar o PSD para poder colocar-se ao serviço do País. Portugal bem precisa de uma nova força.

sobre o autor

Vasco Campilho tem 32 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico, Eleições 2009 (Público), Câmara de Comuns e Papa MyZena. Actualmente, escreve no 31 da Armada e no Aparelho de Estado (Expresso).

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22 de Janeiro de 2010 às 14:07

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1 Rodrigo Saraiva 22 de Janeiro de 2010 , 12:59

é mesmo isso!!! RT @vascocampilho: .net/ Uma nova força.: Do livro de Passos Coelho não falo ainda porque ainda… http://bit.ly/7YF26U

2 Fernando Gomes 22 de Janeiro de 2010 , 13:04

RT @vascocampilho: .net/ Uma nova força.: Do livro de Passos Coelho não falo ainda porque ainda não o li – reservei o fim de semana p… http://bit.ly/7YF26U

3 Cláudia Assis 22 de Janeiro de 2010 , 14:01

Bem dito! RT @vascocampilho: .net/ Uma nova força: Do livro de Passos Coelho não falo ainda porque ainda não o li [...] http://bit.ly/7YF26U

4 Sérgio Pelicano 22 de Janeiro de 2010 , 15:25

Oh que pena….Por aqui em Aveiro, nem os exemplares do Livro chegaram à Bertrand.Mas de qualquer forma já reservei o meu.

5 Luis Melo 22 de Janeiro de 2010 , 16:26

Vasco, queres comentar esta crítica do JLE no Psicolaranja?
Parte 1
Parte 2

6 Vasco Campilho 22 de Janeiro de 2010 , 16:32

Não quero nem vou comentar nada que venha de uma pessoa que não me merece a mínima consideração, por razões que bem conheces se leste o que aqui relatei. Mesmo que estivesse disposto a fazê-lo, todavia, como não tenho dotes de leitura supersónica não estaria neste momento em condições de falar de um livro que não li. Falarei do livro, obviamente, depois de o ler.

7 Gustavo Rossi 22 de Janeiro de 2010 , 19:04

Caríssimo Luis,
como sabes, nunca fui apoiante de Pedro Passos Coelho(PPC), embora achasse aquando da sua liderança da JSD, que era um sucessor natural do topo hierarquico do partido. Tinha carisma, presença e transmitia as suas ideias e ideais elequentemente. No entanto e conforme a sua actuação/acção foi perdendo protagonismo, também o proprio se perdeu, nas guerras fraticídas do partido, encostado ao grande mal amado que é Luis Filipe Meneses. Aparece agora, como uma especie de salvador dum partido esfrangalhado por uma liderança “choca” e sem garra e pelas guerras fraticídas já referidas. Pior é a sua falta de certezas sobre as grandes decisões anunciadas pelo governo Sócrates, principalmente TGV e Aeroporto. Posto isto, pergunto:
O que fez PPC na sua vida que seja relevante na sua eleição para Presidente do PDS e posterior candidatura a Primeiro-Ministro? É realmente relevante o seu trabalho dentro do PSD?
É uma alternativa credível a Socrates? Porquê? Convém explicar.
Quem estará nos proximos encontros/jantares/comícios? Sempre se verá se a presença na apresentação da “obra literária”, de tanta gente “ilustre” foi curiosidade ou apoio.
E já agora, gostava de saber de Laborinho Lúcio…
Um abraço a todos

8 Ruy 23 de Janeiro de 2010 , 21:44

Com tanta FORÇA desta vez é que o PSD vai rebentar.

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