Alguém falou de fraude?

20 de Abril de 2009 | Sem categoria

Acho realmente extraordinário este hábito dos candidatos do PS às europeias especularem sobre a candidatura do PSD. Quando não se sabia ainda que Paulo Rangel seria o cabeça de lista, Vital Moreira não hesitava em especular sobre quem seria o seu principal adversário. Saiu-lhe furada a adivinha. Agora é Edite Estrela que aproveita para dar largas à sua indignação sobre o que não passa de uma especulação: qualquer pessoa minimamente versada em política sabe que a elaboração de listas é sempre um processo tenso e que nada é certo até ao processo estar fechado. Seria por isso do mais elementar bom-senso reservar os comentários – se de todo em todo for necessário fazê-los – para depois da apresentação da lista.

Mais extraordinária ainda é a escolha de palavras: ao qualificar de “fraude eleitoral” (que como se sabe, é crime) uma prática – infelizmente corriqueira – a que o Partido Socialista nunca foi estranho, terá Edite Estrela a noção de que está a por em cheque a própria lista em que se candidata? É que se a hipotética renúncia de Teresa Morais e Regina Bastos ao PE constitui fraude eleitoral, o que dizer da situação de Ana Gomes e Elisa Ferreira, que já anunciaram que renunciariam ao PE se fossem eleitas Presidentes de Câmara? Empregando a estrelícia acepção, estaríamos perante uma dupla “fraude” – às europeias e às autárquicas – nada hipotética. Considerando a autoridade de Edite Estrela no que à língua portuguesa concerne, começa a haver aqui matéria para queixa-crime.

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Adenda: Soube agora que, como eu nunca duvidei que sucedesse, Guilherme Silva já desmentiu a notícia que tanto indignou Edite Estrela. Decididamente, a especulação não é o forte dos candidatos socialistas ao PE. Quanto ao anúncio de que, afinal, Elisa Ferreira e Ana Gomes não são candidatas simultaneamente ao PE e a Câmaras Municipais, ainda nada. Mas estou certo que Edite Estrela, agora que viu a luz, não deixará de tomar uma atitude contra esta “fraude eleitoral” do Partido Socialista.

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sobre o autor

Vasco Campilho tem 32 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico, Eleições 2009 (Público), Câmara de Comuns e Papa MyZena. Actualmente, escreve no 31 da Armada e no Aparelho de Estado (Expresso).

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