Eu traduzo

19 de Fevereiro de 2009 | Portugal,Sociedade

A coberto do seu “regime de semi-clandestinidade” – adensado pelo linguajar pseudo/quasi-antropológico que lhe é típico – Bruno Sena Martins pode dizer coisas que activistas “obrigado[s] a outra visibilidade” não podem. Por isso é interessante traduzir este post para uma linguagem acessível ao comum dos mortais. Isto é quase uma violação de privacidade, mas em português o que ele quis dizer foi:

“Claro que o casamento homossexual abre a porta ao casamento poligâmico e incestuoso. E é isso que se quer. Mas não vale a pena dizê-lo em frente a toda a gente, não se vá assustar a caça. Para já segura-se o pássaro que está na mão. Depois começa-se a atirar pedras aos que ainda estão a voar.”

Louvo a candura com que Bruno Sena Martins admite a agenda política que defende, mesmo na ilusão de que ninguém o ouve. Mas será que essa agenda política interessa mesmo às pessoas que querem casar com alguém do mesmo sexo? Duvido muito.

sobre o autor

Vasco Campilho tem 32 anos e vive em Lisboa. É militante do PSD e membro da Plataforma Construir Ideias. Participou nos blogs O futuro é agora, Atlântico, Eleições 2009 (Público), Câmara de Comuns e Papa MyZena. Actualmente, escreve no 31 da Armada e no Aparelho de Estado (Expresso).

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19 de Fevereiro de 2009 às 21:37

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1 Jorge Sousa 19 de Fevereiro de 2009 , 13:14

De facto não serão argumentos propriamente jurídicos, como Bruno Sena Martins diz, apesar de eles existirem, no expresso impedimento desses casamentos incestuosos e na previsão penal da poligamia.

De facto, ele defende essa abertura, a título pessoal, quanto às relações incestuosas. Mas não me parece que seja o casamento homossexual (enquanto uma possibilidade jurídica) a abrir a porta a ao casamento poligâmico e incestuoso.

Não defendo, pelo menos hoje, mas admito que a sociedade, num dia futuro, venha a aceitar e tolerar essas condutas. Como veio a aceitar e generalizar o divórcio, como tem vindo a aceitar novas formas de família e ainda a homossexualidade em si, primeiro, e progressivamente as suas uniões.

Enquanto condutas altamente censuradas pela sociedade de hoje, a porta ao casamento poligâmico e incestuoso só será aberta pela própria sociedade. Se suceder, a seu tempo o direito irá reproduzir essa evolução.

Contudo, e para além dessa perspectiva evolucionista que defendo, os argumentos jurídicos servem hoje para distinguir um aspecto que, a meu ver, desconexiona e afasta a ideia da poligamia e incesto do casamento homossexual: em relação a este último, existe uma proibição expressa (que nem necessitaria de existir para ser defensável) quanto à discriminação consoante a orientação sexual. Para a poligamia e incesto não.

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