Artigos do tema 25 de novembro

25 de Novembro revisited

30 de Novembro de 2008 | Portugal

O Henrique Raposo assinou este fim-de-semana uma das melhores crónicas que lhe li no Expresso. Nela, ele diz tudo o que eu gostaria de ter dito sobre o 25 de Novembro quando fui ao Rádio Clube mas que, por falta de jeito, não consegui. No programa, centrei a minha intervenção na crítica ao contra-senso de certa direita que pretende fazer do 25 de Novembro o seu 25 de Abril, numa capitulação ingénua ao facciosismo que tem pretendido fazer do 25 de Abril terreno privado de certa esquerda. Como se os valores da liberdade e da democracia que o 25 de Abril representa – a não confundir com o 26, o 27, o 28 e por aí afora – não fossem partilhados pela esmagadora maioria dos portugueses de todos os quadrantes políticos.

Mas na sua crónica o Henrique Raposo soube ir ao cerne da questão numa só frase: “a inferioridade moral imposta à direita portuguesa não advém do 25 de Abril, mas do 25/11.” E mostrou como essa inferioridade moral vem menos da força do pacto que na altura foi firmado do que do opróbrio da cedência – amaciada por prebendas – ao “pluralismo socialista” que ele impunha. Essa cedência – valha a verdade – não foi imediata, nem universal. Ainda perdura a memória de um homem que não se conformou com ela. E é essa memória que deve continuar a inspirar quem, mais do que uma alternância, quer contribuir para uma real alternativa à democracia mirrada com que nos temos contentado. Falo, evidentemente, de Francisco Sá Carneiro.

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Quando na semana passada fui ao Rádio Clube discutir o caso BPN, à saída alguém apontou para um estúdio e disse: olha, foi ali que se passou o 25 de Abril. Uns dias depois, lá volto eu para discutir o episódio thermidoriano da Revolução dos Cravos – o 25 de Novembro – desta feita com Nuno Miguel Guedes. No estúdio mesmo ao lado daquele onde tudo começou. Fin d’un rêve? Happy ending? Ou outra coisa qualquer? O que é certo é que o 25 de Novembro é, de entre os dias significativos da nossa história recente, aquele cujo significado permanece mais obscuro. Só por isso vale a pena discuti-lo. Sintonize-se às 23h.

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