Artigos do tema Brasil

Há o Estado socialista, o Estado capitalista, e há o Estado a que a favela chegou: o abate de um helicóptero simboliza o desafio à soberania brasileira que o narco-tráfico constitui. Este desafio deve ser encarado nos precisos e exactos termos da guerra anti-subversiva. Daí não decorre, contudo, que as autoridades participem numa escalada da violência. Bem pelo contrário.

[continuado…]

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Já tem argüido?

21 de Agosto de 2009 | 31 da Armada

 

Ultraje à República... Brasileira.

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Kebab meets picanha

30 de Julho de 2009 | Sociedade

Ontem cheguei a casa a horas impróprias para consumo. Esfomeado. Ainda dei um salto ali ao frango assado, mas a venerável casa fecha às quartas. Dirigi-me então ao kebab de última instância que fica um pouco mais longe na minha rua. Quem lá estava a atender já não era aquele jovem e simpático paquistanês com o seu português aproximativo, que ainda no Santo António tinha feito uma valente sardinhada para os excedentários da Bica. No seu lugar, uma brasileira que eu já conhecia de ter trabalhado numa mercearia barra frutaria meia-dúzia de portas mais à frente, e que havia desaparecido do bairro há uns dois anos.

Olhe, era um kebab. Ah, mas é que aqui já não é dos indianos. Ah não? Pois, eles foram abrir um restaurante no Intendente, parece que muito bom, e como o dono disto está para Espanha e só tinha aqui este negócio, fez o trespasse. Ah então você é a dona? Sou. Agora aqui tem mais picanha, costela, empada, essas coisas. Também vamos abrir ali nas escadinhas da Bica, um sítio maior, para grupos que aqui não comporta… Muito bem, já não a via há algum tempo desde a mercearia. Pois é, trabalhei ali num café no Chiado e agora conseguimos abrir este negócio… E vamos ter um serviço de entrega ao domicílio e mais isto e mais aquilo…

Quis partilhar este episódio (acabei por levar uma sandes e uma cola zero) porque achei a história desta mulher absolutamente inspiradora. Sei as condições difíceis e os horários pesados da mercearia onde ela trabalhava quando a conheci. Sei das provações por que passam tantos e tantas imigrantes em Portugal, sobretudo com uma crise económica face à qual estão ainda mais desprotegidos que os autóctones. E no entanto, ela conseguiu ultrapassar as dificuldades; montar o seu projecto; e melhorar a sua condição. E com esse esforço está a contribuir para uma rua melhor, para um bairro melhor, para uma cidade melhor, quem sabe para um país melhor. Esta mulher – tenho que lhe perguntar o nome um dia destes – ontem parecia feliz. Parecia que estava finalmente a realizar aquilo que tinha vindo buscar a Portugal. Desejo-lhe toda a sorte do mundo.

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Twin imbalances

9 de Maio de 2009 | Mundo

Nestas conferências estive particularmente atento à questão dos desequilíbrios gémeos entre Estados Unidos e China: consumo de um lado, poupança e investimento do outro. Estes desequilíbrios, que se têm vindo a aprofundar nos últimos dez a quinze anos, são não apenas uma das origens mais claras da crise financeira que atravessamos, mas também um dos problemas políticos mais candentes à escala global.

Quando perguntei a Robert Hunter e a Shi Yinhong em que base é que os Estados Unidos e a China poderiam chegar a um acordo para resolver estes desequilíbrios, ambos se enredaram em respostas inócuas e bem-intencionadas. Mas a sensibilidade da questão foi revelada pela reacção forte do russo Yegor Gaidar – que identificou a convertibilidade do yuan como o maior desafio em termos de regulação financeira mundial – e pela reacção epidérmica da indiana Rada Khumar, que nem queria ouvir falar de uma relação privilegiada entre Estados Unidos e China.

Mas foi o brasileiro Alfredo Valladão que, a meu ver, melhor perspectivou os potenciais desenvolvimentos desta questão, já no sábado à tarde. A China, cujo modelo de desenvolvimento passa por investimento intensivo e está completamente virado para a exportação, tem que se preparar para uma nova era de proteccionismo soft de base ambiental da parte dos Estados Unidos. Claro que haverá sempre empresas americanas prontas a vender serviços para adaptar a produção chinesa às regras do jogo obamiano.  Mas essa adaptação implicará também um aumento do consumo interno, um aumento do rendimento das famílias, e uma diversificação das formas de acesso ao rendimento – cada vez menos controladas pelo Partido. E é esse o grande desafio da liderança chinesa – como entrar nesta nova era sem a acompanhar de uma maior abertura política? E como promover a abertura política sem desencadear convulsões sociais imprevisíveis?

Da resposta da China vai depender muito do que serão as próximas décadas ao nível global.

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(continuação de Interesse nacional).

Vimos que “nenhum regime político pode ter sucesso duradouro se não possuir mecanismos fiáveis de formulação, expressão e prossecução do interesse nacional”. Estes mecanismos encontram-se de boa saúde no Portugal de hoje? Penso que não. Haverá locus de reflexão estratégica com sentido nacional – sectores militares e diplomáticos, por exemplo – mas pouco articulados entre si, e sobretudo cada vez menos capazes de impregnar a comunidade política para além de uma lógica sectorial. A inexistência de uma comunidade epistémica do interesse nacional capaz de o considerar nos diversos sectores das políticas públicas acaba por deixar ao poder político campo aberto para pastorear a comunidade política segundo os impulsos do momento.

Há que reconhecer que, nos domínios da política externa – nas suas vertentes mais tradicionais – e da defesa, a subsistência nas estruturas do Estado de uma tradição estratégica longa de séculos tem permitido ao poder político inserir as suas opções numa leitura consistente do interesse nacional. Mas noutros domínios – nomeadamente no domínio da estratégia económica ou da organização territorial – a ausência de uma compreensão partilhada do que é o interesse nacional leva a situações completamente opostas.

No domínio económico, a ausência de sentido nacional tem levado o poder político a comprometer-se com apostas que relevam mais da especulação do que da estratégia: em 1995 Antonio Guterres decretou que a prioridade máxima era o Brasil. Em 2005, José Sócrates achou que afinal era Espanha, Espanha, Espanha. Depois das notáveis falências da Águas de Portugal no Brasil e do impacto que a recessão económica espanhola terá sobre o fim do mandato socrático, o que virá a seguir? Ninguém sabe, porque não há um quadro coerente e partilhado de reflexão estratégica nacional.

No domínio territorial, a situação é a inversa: a inércia das tendências pesadas que moldam o desenvolvimento do território nacional impõe-se com facilidade a políticas públicas incapazes de se inscrever no tempo longo que só a consideração do interesse nacional permite. O resultado é um território cujo ordenamento não corresponde a nenhuma estratégia em particular, e certamente que não a uma estratégia que corresponda ao interesse nacional.

(continua).

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Ora até que enfim…

11 de Julho de 2008 | Mundo

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…que vou poder ver o BOPE em acção.

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