
Na cidade de Lisboa, tanto o PPD/PSD como o CDS/PP obtiveram um assinalável crescimento nas legislativas de 2009. A 15 dias das eleições autárquicas, a soma dos dois principais partidos que compõem a coligação Lisboa com Sentido é de 40,3%, claramente à frente do Partido Socialista com 34,8%, e muito próxima do nível que permitiria alcançar a maioria absoluta na Câmara e na Assembleia Municipal. É certo que se trata de duas eleições diferentes. Mas não deixa de ser um indicador encorajante para a campanha que agora começa. Queremos devolver o sentido a Lisboa. Temos duas semanas para conquistar o direito de tentar.
A encomenda, por Carlos Enes:

(...) Se o "DN" acha que pode invadir ou beneficiar da invasão de correspondência privada, ainda por cima para denunciar fontes confidenciais de informação de jornalistas de um jornal concorrente, deve ser consequente.
Quem é a fonte do "DN"?
Em nome do "interesse nacional" de João Marcelino, qualquer leitor que tenha comprado o "DN" de hoje tem o direito de perguntar: Quem é a fonte do "DN"?
Se o "DN" acha que as fontes de informação podem ser divulgadas - e que nalguns casos de "interesse nacional" devem ser denunciadas - deve ele próprio denunciar: Quem é a fonte do "DN"?
No caso em apreço, não é só uma questão de decência. A traição do "DN" à sua fonte pode esclarecer a questão de fundo. Quem, em Portugal, anda a violar a correspondência de jornalistas? (...)
Leitura integral vivamente aconselhada.

O Apelo à Reavaliação do Investimento Público fez mossa, não haja dúvida. Não só pelo conteúdo - que não se afasta muito do que a oposição vinha a defender - mas sobretudo pela credibilidade de quem o fez. Nomes como Daniel Bessa e Augusto Mateus, para citar apenas dois, são duas setas apontadas ao coração do governo socialista.
Justamente porque o que está em causa é a credibilidade dos promotores do apelo, as reacções socratianas - não digo socráticas porque até agora o grande líder, na sua novel humildade, não piou - foram no sentido de por em causa os mensageiros, mais do que a mensagem. Economistas? Nada disso. Há lá engenheiros e até um que não é licenciado. Pessoas responsáveis? Justamente: esses ex-ministros quando lá estiveram não fizeram nada para resolver os problemas da nação. Pessoas credíveis? Ó meus amigos: uma cambada de consultores subsidio-dependentes que estão já a por-se a jeito para as benesses do novo poder.
Estas alegações de grande elegância têm sido rebatidas, e bem rebatidas, por quem de direito. Interessa-me aqui outra perspectiva: e se os críticos do apelo tiverem razão? E se de facto este manifesto for o primeiro sinal de que os ratos estão a abandonar o navio? O que é que isso diz sobre o navio em que se encontram?
Via Grande Loja tomei conhecimento do interessante artigo de Fernanda Palma no Correio da Manhã sobre autoridade democrática, a propósito do bloqueio dos camionistas. Lá se diz que “o Estado não existe só nas ‘cargas policiais’, de que alguns são tão nostálgicos. O Estado deve harmonizar os direitos de todos e proteger, acima de tudo, os mais fracos.”
Não só, mas também. Não defendo que “o Direito seja acatado [só)] por medo”. Mas considero que o weberiano monopólio da violência legítima, para que se possa transformar num monopólio da violência tout court, deve ser defendido com o recurso à força. Isso admito.
Se à violência privada não se opõe a força pública, não há Estado. Pode até haver órgãos de soberania, leis, regulamentos, burocracias… mas não há Estado. Não haver Estado não impede que haja ordem. Ordem acaba sempre por haver uma. A alternativa que se coloca é: queremos uma ordem mantida por um condomínio de poderes fácticos, ou queremos uma ordem mantida pelo Estado?
Eu prefiro que seja o Estado – democrático, já agora – a manter a ordem. Nem sempre se trata de uma tarefa agradável. Pode, em certas ocasiões, ser profundamente impopular. Pode até, e já Weber o tinha assinalado, levar quem é chamado a essa tarefa a ofender as suas convicções morais ou religiosas. Mas trata-se de uma responsabilidade irrenunciável de quem governa.