Artigos do tema direito

E Lisboa?

28 de Setembro de 2009 | Campo de Santana,Lisboa

 

Na cidade de Lisboa, tanto o PPD/PSD como o CDS/PP obtiveram um assinalável crescimento nas legislativas de 2009. A 15 dias das eleições autárquicas, a soma dos dois principais partidos que compõem a coligação Lisboa com Sentido é de 40,3%, claramente à frente do Partido Socialista com 34,8%, e muito próxima do nível que permitiria alcançar a maioria absoluta na Câmara e na Assembleia Municipal. É certo que se trata de duas eleições diferentes. Mas não deixa de ser um indicador encorajante para a campanha que agora começa. Queremos devolver o sentido a Lisboa. Temos duas semanas para conquistar o direito de tentar.

{ Comments on this entry are closed }

Ler os outros

18 de Setembro de 2009 | 31 da Armada

 A encomenda, por Carlos Enes:

 

 (...) Se o "DN" acha que pode invadir ou beneficiar da invasão de correspondência privada, ainda por cima para denunciar fontes confidenciais de informação de jornalistas de um jornal concorrente, deve ser consequente.

Quem é a fonte do "DN"?

Em nome do "interesse nacional" de João Marcelino, qualquer leitor que tenha comprado o "DN" de hoje tem o direito de perguntar: Quem é a fonte do "DN"?

Se o "DN" acha que as fontes de informação podem ser divulgadas - e que nalguns casos de "interesse nacional" devem ser denunciadas - deve ele próprio denunciar: Quem é a fonte do "DN"?

No caso em apreço, não é só uma questão de decência. A traição do "DN" à sua fonte pode esclarecer a questão de fundo. Quem, em Portugal, anda a violar a correspondência de jornalistas? (...)

 

Leitura integral vivamente aconselhada.

 

{ Comments on this entry are closed }

O Apelo à Reavaliação do Investimento Público fez mossa, não haja dúvida. Não só pelo conteúdo - que não se afasta muito do que a oposição vinha a defender - mas sobretudo pela credibilidade de quem o fez. Nomes como Daniel Bessa e Augusto Mateus, para citar apenas dois, são duas setas apontadas ao coração do governo socialista.

 

Justamente porque o que está em causa é a credibilidade dos promotores do apelo, as reacções socratianas - não digo socráticas porque até agora o grande líder, na sua novel humildade, não piou - foram no sentido de por em causa os mensageiros, mais do que a mensagem. Economistas? Nada disso. Há lá engenheiros e até um que não é licenciado. Pessoas responsáveis? Justamente: esses ex-ministros quando lá estiveram não fizeram nada para resolver os problemas da nação. Pessoas credíveis? Ó meus amigos: uma cambada de consultores subsidio-dependentes que estão já a por-se a jeito para as benesses do novo poder.

 

Estas alegações de grande elegância têm sido rebatidas, e bem rebatidas, por quem de direito. Interessa-me aqui outra perspectiva: e se os críticos do apelo tiverem razão? E se de facto este manifesto for o primeiro sinal de que os ratos estão a abandonar o navio? O que é que isso diz sobre o navio em que se encontram?

{ Comments on this entry are closed }

Inspirado no que diz o Rui Cerdeira Branco acerca de haver um único boletim de voto, e não um para partidos com assento no PE e outro para os demais – e sem qualquer água no bico – gostaria de partilhar convosco uma coisa pouco conhecida no nosso País: é que há países onde se vota de maneira bastante diferente da nossa.

Votar, além de direito cívico, é um ritual que se inscreve em materiais e instalações físicas, mas também em gestos e atitudes corporais cujo enraizamento em muito contribui para a legitimação da democracia eleitoral. Alguns traços típicos do acto eleitoral em Portugal: a mesa de voto, o colocar da cruzinha, o dobrar do boletim em quatro… tudo isto nos parece evidente, como poderia ser de outra forma? Mas pode.

Em França, por exemplo, não há um boletim de voto com a lista dos partidos ordenada por um sorteio feito no Tribunal Constitucional, mas sim um boletim de voto por partido, candidato ou lista concorrente. É verdade: em França cada candidatura tem o seu boletim, e pode lá inscrever o que quiser. O eleitor recolhe os boletins e recebe também um envelope. Dirige-se para o isoloir – que contrariamente à cabine de voto tradicional em Portugal, dispõe de cortina para um melhor isolamento – e coloca um e apenas um dos muitos boletins que recolheu dentro do respectivo envelope. Fecha-o, sai do isoloir e entrega o envelope ao presidente da mesa de voto. Este coloca-o sobre a ranhura da urna – fechada através de um manípulo lateral – puxa o manípulo de modo a abrir a ranhura, deixa cair o voto na urna e lança um sonoro “a voté!”.

De notar que este “a voté” não tem nada de discricionário – é um elemento essencial para que o ritual do voto francês esteja completo, e não há mesa de voto onde ele não seja portentosamente proferido de cada vez que um voto entra na urna. De notar também que nada obriga o eleitor a recolher todos os boletins que estão à sua disposição. A maior parte fá-lo, de forma a preservar o segredo do voto. Mas alguns fazem questão de recolher apenas o boletim da lista em que pretendem votar. Outros ainda recolhem todos os boletins menos o de um partido – ficou célebre o caso de Chirac, que foi filmado a recolher todos os boletins de voto menos o de Le Pen nas presidenciais de 1995.

Como eu disse acima, este post não leva água no bico. Mas já agora, permitam-me tirar uma conclusão: se há tantas maneiras diferentes de se votar, se calhar podíamos dessacralizar um pouco a nossa e começar a reflectir sobre formas de a melhorar.

  Twitter          

{ Comments on this entry are closed }

Estado, ordem e violência

23 de Junho de 2008 | Política

Via Grande Loja tomei conhecimento do interessante artigo de Fernanda Palma no Correio da Manhã sobre autoridade democrática, a propósito do bloqueio dos camionistas. Lá se diz que “o Estado não existe só nas ‘cargas policiais’, de que alguns são tão nostálgicos. O Estado deve harmonizar os direitos de todos e proteger, acima de tudo, os mais fracos.”

Não só, mas também. Não defendo que “o Direito seja acatado [só)] por medo”. Mas considero que o weberiano monopólio da violência legítima, para que se possa transformar num monopólio da violência tout court, deve ser defendido com o recurso à força. Isso admito.

Se à violência privada não se opõe a força pública, não há Estado. Pode até haver órgãos de soberania, leis, regulamentos, burocracias… mas não há Estado. Não haver Estado não impede que haja ordem. Ordem acaba sempre por haver uma. A alternativa que se coloca é: queremos uma ordem mantida por um condomínio de poderes fácticos, ou queremos uma ordem mantida pelo Estado?

Eu prefiro que seja o Estado – democrático, já agora – a manter a ordem. Nem sempre se trata de uma tarefa agradável. Pode, em certas ocasiões, ser profundamente impopular. Pode até, e já Weber o tinha assinalado, levar quem é chamado a essa tarefa a ofender as suas convicções morais ou religiosas. Mas trata-se de uma responsabilidade irrenunciável de quem governa.

{ Comments on this entry are closed }