Artigos do tema francisco sá carneiro

Sá Carneiro não merecia isto.

4 de Dezembro de 2009 | PSD

“Estou convencida de que o doutor Sá Carneiro, se cá estivesse, não estaria numa orientação diversa daquela que temos estado a dar ao partido”

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Recordar é viver.

4 de Dezembro de 2009 | Portugal

Francisco Sá Carneiro e Snu Abecassis.

Francisco Sá Carneiro e Snu Abecassis.

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O mal e a caramunha

3 de Novembro de 2009 | PSD

Que banzé por aí vai em torno das querelas internas do PSD. Ai o saco de gatos, meu Deus a balcanização, que horror todos à chapada, Virgem Santa que aquela gente não se entende. Batatas: tudo isso não passa de “o PSD no seu melhor”, nas imorredoiras palavras de Manuela Ferreira Leite. Quando se abre um processo sucessório – e os portugueses abriram-no com o seu voto a 27 de Setembro passado – é natural que a disputa do poder se processe com vivacidade. Só quem não assistiu à luta surda – e às vezes nem tanto – entre Sarkozy e Villepin nos últimos anos da presidência Chirac é que pode pensar que o PSD é um caso de excepcional conflitualidade interna num partido de poder.

O que me preocupa no PSD não é o confronto político em si: é constatar que há um grupo de pessoas que age como se as regras do leal confronto democrático não lhes fossem aplicáveis. Excluem quem não lhes é afecto, mas estão muito preocupados com a unidade do partido. Não olham a meios – nem a media – para desqualificar os adversários, mas são os maiores defensores da disciplina partidária. Recrutam comentadores para insultar quem se lhes opõe, mas ofuscam-se com qualquer crítica que se lhes faça.

Ultimamente esse grupo tem estado no poder, mas não esqueçamos o que ele fez quando o poder lhe foi arredio. Derrubou Santana Lopes. Menorizou Marques Mendes. Entrou em guerra com Luís Filipe Menezes. Sem que a vontade expressa pelos militantes do Partido lhes merecesse o mínimo respeito. Na realidade, comportam-se como se o partido fossem eles, e usam o seu estatuto social e comunicacional para submeter o PSD a uma inaceitável chantagem: ou o Partido alinha com a sua estratégia, ou eles afundam o Partido.

Há quem receie a ruptura entre esse grupo, muito impropriamente apelidado de “elites”, e a massa do partido. Pessoalmente não desejo rupturas, mas também não as temo: da última vez que o PSD perdeu a paciência com as suas auto-proclamadas “elites”, em 1978, mais de metade do grupo parlamentar saiu em oposição a Francisco Sá Carneiro. No ano seguinte a AD foi vitoriosa. Uma lição a reter para quem acha que pode continuar a fazer o mal e a caramunha.

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25 de Novembro revisited

30 de Novembro de 2008 | Portugal

O Henrique Raposo assinou este fim-de-semana uma das melhores crónicas que lhe li no Expresso. Nela, ele diz tudo o que eu gostaria de ter dito sobre o 25 de Novembro quando fui ao Rádio Clube mas que, por falta de jeito, não consegui. No programa, centrei a minha intervenção na crítica ao contra-senso de certa direita que pretende fazer do 25 de Novembro o seu 25 de Abril, numa capitulação ingénua ao facciosismo que tem pretendido fazer do 25 de Abril terreno privado de certa esquerda. Como se os valores da liberdade e da democracia que o 25 de Abril representa – a não confundir com o 26, o 27, o 28 e por aí afora – não fossem partilhados pela esmagadora maioria dos portugueses de todos os quadrantes políticos.

Mas na sua crónica o Henrique Raposo soube ir ao cerne da questão numa só frase: “a inferioridade moral imposta à direita portuguesa não advém do 25 de Abril, mas do 25/11.” E mostrou como essa inferioridade moral vem menos da força do pacto que na altura foi firmado do que do opróbrio da cedência – amaciada por prebendas – ao “pluralismo socialista” que ele impunha. Essa cedência – valha a verdade – não foi imediata, nem universal. Ainda perdura a memória de um homem que não se conformou com ela. E é essa memória que deve continuar a inspirar quem, mais do que uma alternância, quer contribuir para uma real alternativa à democracia mirrada com que nos temos contentado. Falo, evidentemente, de Francisco Sá Carneiro.

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