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	<title>Vasco Campilho &#187; gay</title>
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		<title>Casamento gay: parlamento ou referendo?</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 08:50:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Campilho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A propósito da prioridade dada pelo Governo ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, têm-se ouvido alguns disparates que importa denunciar. O primeiro disparate é a &#8220;obrigatoriedade&#8221; do referendo, como defende Isilda Pegado aqui. Mas não temos um Parlamento acabadinho de eleger neste País? Não é fazer leis a sua função? Os nossos parlamentares sofrerão [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><strong>A propósito da prioridade dada pelo Governo ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, têm-se ouvido alguns disparates que importa denunciar.<span id="more-2623"></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro disparate é a &#8220;obrigatoriedade&#8221; do referendo, como defende Isilda Pegado <!-- begin st_tag_a --> <a target="_blank" rel="nofollow" href="http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1400574" target="_blank">aqui.</a> <!-- end st_tag_a --> Mas não temos um Parlamento acabadinho de eleger neste País? Não é fazer leis a sua função? Os nossos parlamentares sofrerão de alguma <em>capitis diminutio</em> no tocante ao direito da família? O mais pitoresco nisto tudo é que quem propõe o referendo costuma achar que o assunto não é prioritário. Tendo a concordar. Mas então, porquê referendá-lo? Porquê obrigar milhões de portugueses a deslocar-se às urnas para decidir um assunto que não é prioritário?</p>
<p><!-- end st_tag_p --> <!-- begin st_tag_p --></p>
<p style="text-align: justify;">O segundo disparate é a &#8220;proibição&#8221; do referendo. Até agora só a detectei na boca de Miguel Vale de Almeida &#8211; não se referendam direitos de ninguém,<!-- begin st_tag_a --> <a target="_blank" rel="nofollow" href="http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1400574" target="_blank">diz o novel deputado socialista</a> <!-- end st_tag_a --> &#8211; mas também a poderia ter encontrado, invertida nas suas razões, em muitas vozes conservadoras. Homessa! Então não vivemos em democracia? Afinal há coisas sobre as quais o povo não se pode pronunciar? O mais curioso é que esta posição é defendida por quem se encontra associado à promoção da democracia participativa. Que é muito boa, desde que ostente um cunho progressista.</p>
<p><!-- end st_tag_p --> <!-- begin st_tag_p --></p>
<p style="text-align: justify;">O terceiro disparate é a &#8220;subsumação&#8221; do referendo &#8211; por exemplo aqui, <!-- begin st_tag_a --> <a target="_blank" rel="nofollow" href="http://hojehaconquilhas.blogs.sapo.pt/1026061.html" target="_blank">pela pena do Tomás Vasques.</a> <!-- end st_tag_a --> Diz que o casamento entre pessoas do mesmo sexo já foi referendado a 27 de Setembro. Como é que eu fui votar e não dei por isso? Não se tratava de eleger deputados? Não vivemos numa democracia representativa? Afinal sempre existe mandato imperativo?</p>
<p><!-- end st_tag_p --> <!-- begin st_tag_p --></p>
<p style="text-align: justify;">Tanto disparate só afecta a credibilidade da nossa democracia. Os princípios basilares do regime não podem nem devem ser contorcidos segundo a conveniência do dia. A verdade é que nem o referendo é obrigatório em questões de costumes, nem o casamento entre pessoas do mesmo sexo se enquadra nos domínios constitucionalmente vedados ao referendo. A verdade é que se o procedimento parlamentar tem tanta legitimidade quanto o recurso ao referendo, convém recordar que o referendo é excepção e o Parlamento regra. Cabe portanto a quem defende o referendo demonstrar as suas vantagens neste caso concreto. Até agora, não me convenceram.</p>

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