Portugal vai ver os juros da dívida agravados por ter um governo desonesto, que esquece números e não assume claramente o grave momento financeiro que o país atravessa. A situação de Portugal não é igual à da Grécia, diz-se. Pois não. É pior. A Grécia tem um governo honesto e empenhado em encontrar uma solução. E já foi premiada. Portugal tem um Governo que não assume a gravidade da situação, escamoteia, engana… e acaba de ser penalizado!
Domingas Carvalhosa, in A situação de Portugal é igual à da Grécia? Não. É pior… A ler na íntegra.
10 de Dezembro de 2008 | Mundo
Em título aparece aquilo a que, em linguagem de tuíteiro, se chama um hashtag: uma palavra-marcador que permite definir tópicos de conversa no twitter. Essas conversas podem ser seguidas em tempo real aqui. Já desde a #anita que sabia que existiam hashtags, mas só hoje entrei num hashtag de dimensão internacional: o #griots (podem ver as minhas contribuições e as respostas que geraram aqui). Foi uma experiência edificante.
#griots é o marcador para a cobertura dos distúrbios que se estão a passar na Grécia. Quando soube pelo facebook de uma amiga grega que a morte do jovem teria sido acidental (um ricochete), decidi dar conta disso no twitter: primeiro em português, depois em inglês, aí já com hashtag e link para a fonte.
Em menos tempo do que me demorou a fazer refresh já tinha duas respostas que explicavam que essa informação era proveniente do advogado de defesa do polícia acusado. Mais um minuto e já me aconselhavam a não espalhar rumores. Uns segundos mais tarde alguém lembrou que essa informação estava por todo o lado na imprensa internacional – portanto não eram propriamente rumores. Eu próprio tuítei nesse sentido. Logo alguém troçou da credibilidade da BBC, lembrando a questão das armas de destruição maciça no Iraque. Pouco depois alguém opinava que o advogado de defesa devia era calar-se, porque estava a enfurecer mais os manifestantes. Enfim, todo um bruáá.
Mas um bruáa que permite rapidamente apanhar o pulso ao que se está a passar em torno desta questão. E à mentalidade dos intervenientes. Fiquei a saber, por exemplo, que informar que a bala que matou Alexandros Grigoropoulos seria ricochete é ofensivo para a família. Mas chamar assassinos aos polícias antes da condenação é normal. De qualquer maneira, o advogado de defesa é um corrupto sedento de fama e dinheiro.
Mas essa polarização da opinião, esse double-standard empregue por pessoas que estão a viver intensamente os acontecimentos, não me surpreendeu. O que me surpreendeu – e cativou, confesso – foi o potencial do instrumento hashtag para difundir informação, rumor, opinião, debate, através já não de uma rede ou de uma comunidade, mas de um universo difuso de pessoas que a um dado momento, se interessaram por um dado assunto, ou nele se encontram envolvidas. É um potencial que merece ser explorado em Portugal, nomeadamente no domínio da acção política. Mãos à obra.