Artigos do tema imprensa

Quando se está num avião para Luanda, não se tem a Constituição à mão e se tem que escrever um artigo rapidamente e em força com base na palavra presidencial, a probabilidade de um erro acontecer é elevada. Desta vez foram a Bárbara Baldaia e o Miguel Marujo a meter o pé na argola, ao reportar que

Cavaco Silva, parco em comentários, lembrou apenas que há um artigo na Constituição que diz que é o Chefe do Estado que tem de assinar a revisão constitucional. Ora, se assina, tem de concordar – é isso que Cavaco quer sublinhar, dando assim a entender que não terá ficado muito convencido com a proposta do líder do PSD.

Se conhecessem melhor a Constituição, os dois jornalistas do DN saberiam que  o n.º 3 do  art. 286º dispõe que “O Presidente da República não pode recusar a promulgação da lei de revisão [constitucional].” Exactamente o contrário de “se assina, tem de concordar”. Na realidade, “se não concorda, tem de assinar”. Bem, neste caso, esteve a Rádio Renascença, que transmitiu a interpretação mais correcta das palavras do Presidente.

P.S.: Bárbara, Miguel… acontece aos melhores. No hard feelings.

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Leituras

25 de Fevereiro de 2010 | PSD

Esta não é altura para tricas

Nesta altura do campeonato, e quando está meio mundo convicto de que este Governo não vai chegar ao final do mandato (se não for demitido por Cavaco até Junho já é uma sorte), gostaria de saber o que é que os candidatos a líder do maior partido da oposição têm para propor ao País. Quais são as soluções para o défice? Como é que contam reduzir o desemprego? O que vão fazer relativamente às grandes obras públicas? Que propostas trazem para revitalizar a economia? Como é que podemos restabelecer a credibilidade de Portugal lá fora? Pois, a verdade é que não sei o que Aguiar-Branco e Paulo Rangel pensam sobre estes assuntos. Pedro Passos Coelho tem no seu livro Mudar um tratado de ideias e propostas, umas mais desenvolvidas do que outras, mas ao menos percebe-se um caminho, existe qualquer coisa escrita, palpável, agora dos outros candidatos não se sabe praticamente nada. Numa altura em que Portugal atravessa a sua maior crise desde o 25 de Abril, espera-se que o PSD, a um mês de eleições para a liderança, não se perca a discutir a filiação partidária do passado de Rangel, ou numa guerra de apoios, para ver quem tem mais notáveis a seu lado. É altura de discutir ideias, propostas, de demonstrar que existe uma alternativa com pés e cabeça a este Governo. Não basta querer ser poder. É preciso convencer o País de que chegando lá alguma coisa vai melhorar.

Ricardo Martins Pereira, no 24 horas.

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Carapuça universal.

15 de Dezembro de 2009 | Portugal

Um cronista não pode agir perante os seus leitores como se a opinião fosse tão só uma descarga de subjectividade, porque não é. Se a opinião fosse apenas subjectividade, capricho ou irracionalidade mais ou menos voluntarista, se a opinião fosse algo que só o próprio opinador estivesse em condições de perceber, com que legitimidade alguém opinaria? Quem se interessaria por uma opinião exclusivamente subjectiva e, portanto, inoponível?

Américo de Sousa, in Retórica e Persuasão.

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A fila indiana

23 de Junho de 2009 | PSD

Paciência, calma e muito boa disposição é o que é preciso para aturar os bem-intencionados comentadores que, de moto próprio, se escalam na blogosfera para malhar em Pedro Passos Coelho de cada vez que este faz uma intervenção pública. Ontem houve Conselho Nacional do PSD, e – oh surpresa! – o conselheiro nacional Passos Coelho interveio e fez declarações à saída. Tal bastou para que o João Gonçalves, na sua fina sensibilidade, se ofuscasse com a impudência. O topete de um conselheiro nacional aparecer num Conselho Nacional! Ainda por cima depois de uma vitória eleitoral. Só pode querer lugares. Sucede que Passos Coelho tem intervindo em todos os Conselhos Nacionais. Já António Capucho, por exemplo, só interveio neste último. O que quereria ele?

Também Paulo Tunhas arrebitou a orelha ao ouvir o noticiário da manhã e descobriu que Passos Coelho exigira uma maioria absoluta para o PSD. Oh deslealdade – se a Dr.ª Manuela Ferreira Leite se recusa a pedi-la, ninguém pode sequer pronunciar o nome dessa maioria… maioria quê? Já nem me lembro.  Sucede que eu ontem encontrava-me na Avenida da Liberdade, perfeitamente por acaso, a passar à porta do Sofitel quando Passos Coelho fez as suas declarações à imprensa. Curioso, parei para ouvir. E não ouvi nada do que Paulo Tunhas relata. Pelo contrário, o que ouvi, em resposta a questões sobre coligações, foi que o PSD devia lutar pela maioria mais confortável possível, sem pré-determinar coligações com outras forças partidárias. Terrível exigência esta, a de lutar pelo melhor resultado possível. Dir-se-ia que Passos Coelho considera o PSD um partido de poder.

Mas a fila indiana de malhadores de Pedro Passos Coelho não acaba aqui. Esperam-se nas próximas horas Bruno Alves, Pedro Picoito, Maria João Marques. Tudo em nome da unidade do partido. Tudo para ajudar à vitória do PSD. Até fico comovido com tanta devoção à causa pública.

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E agora?

5 de Março de 2009 | Pessoal

Depois de uma semana mediaticamente em cheio – do Público ao JN, do DN à Sábado, passando pelo 24 Horas – manter-me nas luzes da ribalta é o maior desafio. Caros leitores, ajudem-me a escolher a melhor estratégia, votando numa das opções desta sondagem.

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A vossa voz conta.

5 de Março de 2009 | PSD

O Apelo à candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa às Europeias 2009, petição de que fui o 1° subscritor, foi lançado pelas 19h de 2a-feira. Encerrou a recolha de assinaturas às 24h de 4a-feira, com 307 assinaturas válidas. Tomei a decisão de parar a recolha de assinaturas sozinho e por ela assumo inteira responsabilidade. Fi-lo porque penso que este apelo já cumpriu a sua missão. Mas sobretudo fi-lo porque foi criado um ambiente em que a prossecução desta petição poderia ser prejudicial a interesses mais importantes do que os de qualquer dos signatários.

A petição foi lançada para que o nome de Marcelo Rebelo de Sousa fosse considerado no debate público e no processo de decisão que conduzirá à escolha do cabeça de lista do PSD às europeias. 307 assinaturas, variadíssimos blogposts, 3 notícias  de jornal e várias referências em órgãos de comunicação online permitiram que esse objectivo tenha sido atingido em dois dias. Questionado pelo DN, o próprio Marcelo Rebelo de Sousa reagiu ao apelo que lhe foi lançado referindo que prefere tarefas executivas. Trata-se de um início de resposta – o que não se assemelha, de todo, a um fim de conversa.

A este propósito, quero reafirmar o que disse aqui e re-explicitei no texto do apelo: considero essencial que o PSD alcance a vitória nas eleições europeias. Se não se quebrar em Junho a aura de invencibilidade de que goza o Partido Socialista, será muito difícil criar no eleitorado a expectativa de uma mudança  de Governo em Outubro. E considero que Marcelo Rebelo de Sousa é a personalidade mais adequada a conseguir essa vitória para o PSD. Noto, aliás, que nenhuma reacção ao apelo, por mais hostil que fosse, pôs em causa a argumentação que expus nesse sentido.

Mas o ambiente que se criou a partir do momento em que José Pacheco Pereira decretou que o objectivo desta petição “era criar mais um “facto” hostil a Manuela Ferreira Leite” tornou a continuação da recolha de assinaturas inviável. Ao lançar esta suspeição caluniosa – e meço cuidadosamente as minhas palavras – José Pacheco Pereira, com a influência de que dispõe enquanto comunicador e político profissional há mais de 20 anos, fez mais para condicionar a direcção do PSD do que 30 petições por mim lançadas alguma vez poderiam fazer. Condicionou foi noutro sentido – Pacheco Pereira lá saberá porque é que lhe interessa empeçonhar a hipótese Marcelo para as europeias.

Pessoalmente, não me afecta a calúnia nem me tolhe a intimidação. Decidi ter actividade política há quatro anos porque quero bem ao meu País, e por mais sarcasmos que  a afirmação me possa valer, não me coibirei de agir segundo as minhas convicções. Mas também não me demito das minhas responsabilidades, e não permitirei que a continuação deste apelo seja utilizada para enfraquecer o PSD ou reduzir a margem de manobra dos seus órgãos.

Agradeço por isso às 307 pessoas que de boa-fé se associaram a esta iniciativa e peço a compreensão de todos os que desejariam assinar e já não podem. Uma coisa já ficou provada: a vossa voz conta. Por mais que isso custe a quem se habituou a perorar sozinho.

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