Artigos do tema josé pacheco pereira

(…) em democracia não há “ditadura das finanças”, em democracia não há governos de sábios, nem de técnicos, em democracia e num país soberano, não é saudável um comando exterior imposto, em democracia só há soluções que passam pelo convencimento dos cidadãos da sua bondade e que esse reconhecimento se traduza em votos. Pode ser preciso um abanão forte, para que nos defrontemos com a nossa verdadeira imagem no espelho e não com as ilusões que alimentamos, mas tudo continuará na mesma, ou seja, pior, se o caminho for qualquer entorse na democracia em nome da eficácia económica e financeira. É por isso que uma parte do discurso da catástrofe, com que, insisto, eu me identifico do ponto de vista analítico e mesmo nas soluções drásticas que a podem travar, me parece ser parte do problema, quando é enunciado sem ter em conta o problema democrático, de como resolvê-la em democracia, ou seja, nas urnas. (…) O discurso antipolíticos e anti-partidos, por muito justificado que pareça ser, e muitas vezes o é, não ajuda um átomo a resolver os mesmos problemas que esses pessimistas identificam, e, bem pelo contrário, ajuda a agravá-los. Em vez de fazerem escolhas realistas, mesmo que fossem de mal menor, acabam por sugerir que os problemas de condução económica e financeira não são do domínio do político em democracia, mas sim apenas do saber e da vontade. Não chega.

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Um homem também chora.

20 de Novembro de 2009 | Pessoal,Sociedade

Há coisa de um mês e pico instalei finalmente a têvê por cabo em casa. Têvê por cabo que não é bem por cabo, ou por outra, é por cabo mas não co-axial, é cabo telefónico, mas não de fibra, portanto, ADSL, triple-play e tal, comprende? A minha motivação básica era poder atender o telefone de algum amigo politiqueiro e deixar de responder “não, não vi o Pacheco na quadratura, não tenho SIC-Notícias” (podeis trocar Pacheco por Marques Lopes, quadratura por eixo, e SIC-Notícias por SIC-Notícias). Apesar das avançadas capacidades suspensórias e grabatórias da box, ainda não tive oportunidade para ver esses programas. Aquilo dá muito tarde, e a essas horas eu prefiro ir ao Bairro com uma diva do twitter, ou estar no twitter a trocar espirituosidades com as estrelas da blogosfera.  Mas agora ao menos já posso dizer “não costumo ver a quadratura” (podeis trocar quadratura por eixo) com aquele tom de mas-eu-tenho-cara-de-quem-liga-a-essas-coisas, em vez de me confessar confinado à pobreza hertziana.

Mesmo assim, a têvê deixou de ser o objecto inanimado que tinha na sala desde que a desliguei da antena interior e a liguei à parede. Ontem, por exemplo, antes de dar um salto ao Bairro no horário da quadratura ainda deu tempo para ver um episódio de uma série que não conhecia – a Flashpoint. Pelo que percebi, é a história de uma brigada de intervenção da polícia, que entra em acção quando a coisa mete raptos e reféns e porrada mesmo da grossa. E o que eu me comovi, senhores. O que eu chorei. Não com os estados de alma dos polícias, que também os têm, mas com a história dos criminosos. Um casal de namorados em que a moça tinha a doença de Creutzfeld-Jacob, e que tinha planeado o suicídio dela com morfina depois de uma noite de sonho, com jantar de gala e uns passitos de dança. A coisa metendo uns roubos pelo meio, acabam rodeados de polícias encapuzados a apontar-lhes espingardas em plena festa. Ela a pedir ao namorado que a mate com o cano da Magnum .357 encostado à testa, o sargento a negociar, o drama, a emoção, o muco. Acaba tudo bem, pelo menos tanto quanto possível quando a heroína tem o cérebro a liquefazer-se, vão os dois para a prisa juntos até ela morrer, a lei é dura mas também é humana. Estou aqui a contar isto com um grão de sal para me armar em blasé, mas o que eu me comovi. O que eu chorei. Diz que um homem também chora. Uma coisa é certa: a pieguice piora com a idade.

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Anotações

14 de Outubro de 2009 | PSD

  1. Noto, com alguma perplexidade, que agora Pacheco Pereira já não se refere a Passos Coelho pelo nome para o atacar. Prefere dizer “os que antes isto, agora aquilo”. Continua a inventar, mas já se vai preparando para a relação institucional que terá de ter no futuro.
  2. Noto, sem surpresa mas com alguma decepção, que muitos dos que dizem que é preciso debater ideias e não pessoas quando se fala do futuro do PSD não se coíbem de ataques ad hominem a quem se disponibiliza para ser parte activa nesse debate.
  3. Noto que na nota anterior eu próprio imito o neo-pachecopereirismo nas minhas críticas a quem se está a entrincheirar na lógica de tudo-menos-o-passos. Também me estou a preparar para a relação institucional que terá de existir no futuro.
  4. Finalmente noto que não cheguei a dizer que apoiarei Pedro Passos Coelho na sua candidatura à liderança do PSD quando as eleições forem marcadas. Se calhar ça va sans dire. Mas cela va mieux en le disant.

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É capaz de não chegar.

15 de Agosto de 2009 | PSD,Portugal

Deixemo-nos de tretas: o meu apreço político pelo José Pacheco Pereira caiu abruptamente a partir do momento em que o vi empregar a táctica da terra queimada face a um líder do partido a que ambos pertencemos, não obstante esse líder também não merecer o meu apoio. Desde então, JPP não me tem dado razões para rever a apreciação que faço da sua conduta.

Posto isto, devo reconhecer que este texto é a transcrição ponto por ponto do raciocínio que tem guiado a minha atitude política nos últimos tempos. Também eu tenho presente que “este simples, claro, meridiano facto de que ter mais quatro anos de governo PS – Sócrates é um desastre nacional”. Também para mim as questões internas do partido não se sobrepõem às questões nacionais que estão em jogo nestas eleições. Também para mim, entender “que A e B são prejudiciais ao partido e que foi um erro de Manuela Ferreira Leite tê-los lá colocado” não se sobrepõe à necessidade “de um Bom Governo, mesmo que não seja o Perfeito.”

Mas deixemo-nos de tretas: não é muito bom sinal que um cabeça-de-lista do PSD, a mês e meio de eleições, tenha de vir fazer este tipo de apelo à razão. E que o faça virado para dentro, com argumentos que sensibilizam militantes convictos como eu, mas que passam ao lado do comum dos eleitores. Está na hora de falar directamente aos eleitores. “E depois, gostam mais de Sócrates?” é capaz de não chegar.

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Grande Pacheco

18 de Julho de 2009 | 31 da Armada

Na última Quadratura do Círculo, Pedro Passos Coelho acusou a líder do PSD de não saber comunicar. Hoje, em entrevista ao DN, José Pacheco Pereira apela à responsabilidade do eleitorado para que dê uma maioria absoluta a Manuela Ferreira Leite. Grande Pacheco.

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A questão do pachecopereirismo não é de imaginação delirante, é de delírio galopante.
E, nalguns casos, sem emenda.

O autor do Abrupto não tem poupado, nos últimos tempos, o Diário de Notícias a um escrutínio feroz do situacionismo que grassa pelas suas páginas. Ontem, em mais um episódio caricato, decidiu publicar uma prova quantitativa do bias passoscoelhista do diário da Avenida. Desafortunadamente, a prova era fraquinha: uma simples pesquisa no Google mostra que há três vezes mais páginas a mencionar Ferreira Leite do que Passos Coelho no DN online.

Inexplicavelmente, hoje Pacheco Pereira ainda não brindou a blogosfera com a sua avaliação do índice do situacionismo do Diário de Notícias. Estou certo que as 4 páginas dedicadas a Manuela Ferreira Leite merecem um escrutínio exaustivo, mas que diabo! já são três da tarde: em geral o índice é publicado logo pela fresca. Porque demora tanto o veredicto de hoje? Não tarda começarei a desconfiar que é porque o resultado da análise não convém ao bias pachecopereirista.

PACHECOPEREIRISMO +5

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