14 de Janeiro de 2010 | PSD
3 de Novembro de 2009 | PSD
Que banzé por aí vai em torno das querelas internas do PSD. Ai o saco de gatos, meu Deus a balcanização, que horror todos à chapada, Virgem Santa que aquela gente não se entende. Batatas: tudo isso não passa de “o PSD no seu melhor”, nas imorredoiras palavras de Manuela Ferreira Leite. Quando se abre um processo sucessório – e os portugueses abriram-no com o seu voto a 27 de Setembro passado – é natural que a disputa do poder se processe com vivacidade. Só quem não assistiu à luta surda – e às vezes nem tanto – entre Sarkozy e Villepin nos últimos anos da presidência Chirac é que pode pensar que o PSD é um caso de excepcional conflitualidade interna num partido de poder.
O que me preocupa no PSD não é o confronto político em si: é constatar que há um grupo de pessoas que age como se as regras do leal confronto democrático não lhes fossem aplicáveis. Excluem quem não lhes é afecto, mas estão muito preocupados com a unidade do partido. Não olham a meios – nem a media – para desqualificar os adversários, mas são os maiores defensores da disciplina partidária. Recrutam comentadores para insultar quem se lhes opõe, mas ofuscam-se com qualquer crítica que se lhes faça.
Ultimamente esse grupo tem estado no poder, mas não esqueçamos o que ele fez quando o poder lhe foi arredio. Derrubou Santana Lopes. Menorizou Marques Mendes. Entrou em guerra com Luís Filipe Menezes. Sem que a vontade expressa pelos militantes do Partido lhes merecesse o mínimo respeito. Na realidade, comportam-se como se o partido fossem eles, e usam o seu estatuto social e comunicacional para submeter o PSD a uma inaceitável chantagem: ou o Partido alinha com a sua estratégia, ou eles afundam o Partido.
Há quem receie a ruptura entre esse grupo, muito impropriamente apelidado de “elites”, e a massa do partido. Pessoalmente não desejo rupturas, mas também não as temo: da última vez que o PSD perdeu a paciência com as suas auto-proclamadas “elites”, em 1978, mais de metade do grupo parlamentar saiu em oposição a Francisco Sá Carneiro. No ano seguinte a AD foi vitoriosa. Uma lição a reter para quem acha que pode continuar a fazer o mal e a caramunha.
20 de Outubro de 2009 | PSD
Com um historial de três eleições directas, o PSD tem já uma experiência significativa relativamente aos efeitos da mais significativa alteração estatutária introduzida em 2006: é tempo de fazer um primeiro balanço da sua aplicação e a avançar para uma segunda geração de eleições directas. [continuado…]
Na sua homilia dominical, Marcelo Rebelo de Sousa propôs que o próximo líder do PSD fosse escolhido por um conclave. Mas enquanto o PSD não fôr uma Igreja e o seu Presidente não for um Papa, terá de haver eleições para o escolher. [continuado…]
10 de Setembro de 2008 | PSD
Só hoje tive a oportunidade de ver a entrevista de Mário Crespo a Luís Filipe Menezes, transmitida no domingo à noite na SIC Notícias. Não fui muito longe: aos trinta e três segundos, parei, entre o abismado e o agoniado. O que me fez parar foi isto:
O aumento real da criminalidade – e ele existe – tem a ver fundamentalmente com (…) o facto de se terem acabado com as esquadras de proximidade há dez anos atrás, no Governo da dr.ª Manuela Ferreira Leite.
Esta má-fé não é digna de um militante de base do PSD, quanto mais de um ex-presidente. Que por acaso até foi membro do Governo que agora põe em causa com o nome de outrem. Não, este homem não é do PSD.