Estou para Santana nas presidenciais como estive para Rangel nas directas: fiz campanha para que fossem eleitos para a Câmara de Lisboa e para o Parlamento Europeu, e agradeço que exerçam os seus mandatos até ao fim.
Mesmo estando radicado em Lisboa há vários anos, nada do que diz respeito ao Porto me é indiferente. E confesso que sinto alguma perplexidade por uma candidata à Câmara pensar que consegue enganar os portuenses com acrobacias do género “A mobília chega segunda-feira ao Porto, num camião-tir” ou “a filha já mudou de escola”.
Mas Elisa Ferreira só se engana a si própria. Desde logo sobre o Parlamento Europeu, que nunca foi trampolim para coisa nenhuma. Mas sobretudo sobre os portuenses, povo que não engana nem consente em ser enganado. Será esse povo o trampolim bem confessável que a recambiará para Bruxelas a novecentos à hora na noite das eleições. A mobília, essa, seguirá pela Galamas.
Já ouvi muitas vezes este qualificativo ser aposto a Pedro Santana Lopes. Mas desse ponto de vista, nunca percebi muito bem o que é que o distingue de tantos outros políticos. Nos últimos 10 anos, Santana foi Presidente da Câmara de Figueira da Foz, Presidente da Câmara de Lisboa, Primeiro-Ministro e deputado. Cumpriu o mandato na Figueira da Foz. Interrompeu o mandato em Lisboa para assumir o lugar de Primeiro-Ministro, regressando à Câmara após as legislativas para concluir o mandato. Cumpriu o mandato de deputado.
Comparemos agora com um exemplo ao acaso: António Costa. Nos últimos 10 anos, foi Ministro da Justiça, deputado, deputado europeu, Ministro da Administração Interna e Presidente da Câmara de Lisboa. Cumpriu o mandato de Ministro da Justiça. Interrompeu o mandato de deputado para se candidatar ao Parlamento Europeu. Interrompeu o mandato de deputado europeu para assumir o lugar de Ministro da Administração Interna. Abandonou o Governo para se candidatar à Câmara de Lisboa.
Já sei o que distingue Santana Lopes de António Costa quanto a mandatos interrompidos. Ele tem a fama, António Costa tem o proveito.
A pena que eu tive de não “ir ao Parlamento Europeu a expensas de deputados (mais do que um) no fim do mandato” com o
“numeroso grupo de autores de blogues” (por exemplo,
este e
este) convidado pelo Grupo Parlamentar do PSD. Desde logo, perdi três dias muito bem preenchidos, como se pode ver pelos relatos circunstanciados do
Leonel Vicente (
links aqui). Mas sobretudo, perdi uma excelente oportunidade de
“contribuir e muito para reforçar um falso debate, viciado à partida por ter um só lado”. E como eu gosto de contribuir para tudo o que pareça viciado e falso aos puros olhos de Pacheco Pereira, senhores!
Já em campanha autárquica, Elisa Ferreira garante que não quer nem saber do Parlamento Europeu, como as citações abaixo abundantemente demonstram:
“Vou só dar o nome e volto”
“Sinceramente, eu quero vir para o Porto. Quero-vos pedir que me ajudem a conquistar a Câmara do Porto. O meu objectivo é sair de onde estou e trabalhar para a cidade”
Se o objectivo é sair de onde está, tem bom remédio: é só não se recandidatar. Mas Elisa Ferreira e o PS preferem tomar os eleitores portuenses por parvos. Nunca ninguém se deu bem ao tomar os portuenses por parvos.