Um candidato com boas ideias defrontou um candidato sem ideias e venceu. Dias depois, um candidato sem ideias defrontou um candidato com más ideias e venceu.
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Um candidato com boas ideias defrontou um candidato sem ideias e venceu. Dias depois, um candidato sem ideias defrontou um candidato com más ideias e venceu.
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Mas se calhar, melhor que debater o debate será (re)vê-lo. Cada um que tire as suas conclusões.
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Há que admirar a capacidade do Pedro Picoito e do José Mendonça da Cruz em fazer crer aos seus leitores que Paulo Rangel teve um discurso minimamente convincente ontem à noite. Se eu não tivesse visto o debate, até diria, depois de os ler, que Pedro Passos Coelho conseguiu a muito custo arrancar um empate técnico. Mas vi, e fiquei com uma impressão diametralmente oposta. Sucede que eu também não sou isento nesta questão, o que de certa forma limita o interesse da minha opinião. Nem a mim interessa muito o facto de eu ter achado que Passos Coelho ganhou o debate por KO.
O que já me interessa é a reacção de pessoas que não partem para a análise com uma convicção previamente formada. E desse ponto de vista, a capacidade que Passos Coelho ontem revelou de impressionar não apenas os seus apoiantes no espaço do PSD, mas também muitas pessoas que não votam habitualmente laranja, é da maior relevância política para a escolha de um futuro candidato a primeiro-ministro. Vi-o ontem claramente ao seguir os comentários no twitter, por exemplo.
Mas o comentário que quanto a mim melhor resumiu a noite foi o de Daniel Oliveira, insuspeito de ter quaisquer preferências nesta matéria. O comentador do Bloco arrasou as políticas que Passos Coelho propõe – mau seria que assim não fosse, vindo de quem vem – e arrasou a impreparação e o vazio de Paulo Rangel – o que é mau venha de onde vier. Sintomático.
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Esta não é altura para tricas
Nesta altura do campeonato, e quando está meio mundo convicto de que este Governo não vai chegar ao final do mandato (se não for demitido por Cavaco até Junho já é uma sorte), gostaria de saber o que é que os candidatos a líder do maior partido da oposição têm para propor ao País. Quais são as soluções para o défice? Como é que contam reduzir o desemprego? O que vão fazer relativamente às grandes obras públicas? Que propostas trazem para revitalizar a economia? Como é que podemos restabelecer a credibilidade de Portugal lá fora? Pois, a verdade é que não sei o que Aguiar-Branco e Paulo Rangel pensam sobre estes assuntos. Pedro Passos Coelho tem no seu livro Mudar um tratado de ideias e propostas, umas mais desenvolvidas do que outras, mas ao menos percebe-se um caminho, existe qualquer coisa escrita, palpável, agora dos outros candidatos não se sabe praticamente nada. Numa altura em que Portugal atravessa a sua maior crise desde o 25 de Abril, espera-se que o PSD, a um mês de eleições para a liderança, não se perca a discutir a filiação partidária do passado de Rangel, ou numa guerra de apoios, para ver quem tem mais notáveis a seu lado. É altura de discutir ideias, propostas, de demonstrar que existe uma alternativa com pés e cabeça a este Governo. Não basta querer ser poder. É preciso convencer o País de que chegando lá alguma coisa vai melhorar.
Ricardo Martins Pereira, no 24 horas.
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Com o sucessor de Vitor Constâncio em pano de fundo, Pedro Passos Coelho defende que seja o Parlamento a escolher o próximo governador do Banco de Portugal tal como “acontece com o provedor de Justiça” (onde são exigidos 2/3 de deputados). A proposta do candidato a líder do PSD assenta em três princípios. O “facto de ainda termos alguns meses até que o Governo tenha de definir o sucessor de Vitor Constâncio”, “a maior transparência que deve ser dada à escolha” deste regulador e, por fim, para que o próximo governador tenha a “força necessária para conseguir mudar a estrutura da instituição que precisa de dar mais credibilidade à missão de supervisão”. Na prática e caso vença as directas no PSD, Passos Coelho quer alterar a lei orgânica do Banco de Portugal antes de Junho, mês em que Constâncio troca as funções de regulador, em Portugal, pela vice-presidência do Banco Central Europeu. in Económico.
Uma excelente e oportuna proposta: em vez de vociferar contra a nomeação europeia de Constâncio, Passos Coelho avança com uma reforma do modo de nomeação do Governador do Banco de Portugal que evita que se repita a governamentalização da Almirante Reis. O que pensam os outros candidatos à liderança? De Aguiar-Branco nada se sabe. Quanto a Rangel, tem umas ideias sobre o assunto mas “não acredita que devam ser aplicadas já”. Curiosa ruptura que parece conviver bem com mais um Governador escolhido a dedo por Sócrates…
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Confesso que a primeira impressão é má. Péssima, aliás. Sempre acreditei que Paulo Rangel era um homem de palavra, e que, sendo um político e um homem de palavra, não empenharia a sua palavra de qualquer maneira. Isto porque um político deve ser sempre sensível às circunstâncias, mas também fiel à sua palavra. E se o preço a pagar para poder conformar-se com ambas as exigências for algum grau de ambivalência em certas declarações públicas, seja. Paulo Rangel escolheu não ser ambivalente quando se excluiu da disputa eleitoral no PSD: colocou-se taxativamente, peremptoriamente, inequivocamente de fora. E por razões sólidas, sensatas, de respeito por um compromisso eleitoral assumido com os eleitores – entre os quais eu próprio. Acreditei na palavra dele. Enganei-me. Não voltarei a cair nesse erro.
Posto isto, não deixo de ser sensível ao espírito de serviço cívico que Paulo Rangel invoca para se candidatar. Estou certo, no entanto, que os outros candidatos à liderança do PSD não terão menos amor pela Pátria do que ele. Aquilo que o discurso desta noite não esclareceu foi porque é que a grave situação do País o força a candidatar-se à liderança do PSD, rompendo com compromissos previamente assumidos. Como é que se passa de uma coisa para outra? Não há mesmo mais ninguém que possa salvar a Pátria dos perigos que se avizinham? Não acredito que Paulo Rangel sofra da húbris dos predestinados. Mas também não acreditava que ele voltasse atrás com a palavra dada. Espero para ver, portanto.
Quanto ao conteúdo do projecto que Paulo Rangel apresenta para o País, pelo que se pôde julgar do seu discurso do Tivoli ele é de todo inexistente. O que apenas me surpreende pela metade: Rangel não se preparou para ser presidente do PSD, é natural que não esteja preparado. Mesmo assim, o contraste entre a mera enumeração de áreas em que é importante romper (como? em que sentido?) e a apresentação de uma estratégia integrada de reforma é demasiado evidente para poder ser ignorado. Ironicamente, Rangel caiu no erro que tantos gostam de atribuir a Passos Coelho: muito soundbyte e pouca substância.
Espero e acredito, contudo, que Paulo Rangel saberá nas próximas semanas precisar o seu pensamento e definir o rumo que pretende dar ao PSD e ao País. Se o fizer, dará um grande contributo para que o PSD se clarifique, se renove e se afirme como uma alternativa de Governo. Talvez esse contributo consiga esbater esta má primeira impressão que me deixou. Apagá-la, já será mais difícil.
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