Quando se está num avião para Luanda, não se tem a Constituição à mão e se tem que escrever um artigo rapidamente e em força com base na palavra presidencial, a probabilidade de um erro acontecer é elevada. Desta vez foram a Bárbara Baldaia e o Miguel Marujo a meter o pé na argola, ao reportar que
Cavaco Silva, parco em comentários, lembrou apenas que há um artigo na Constituição que diz que é o Chefe do Estado que tem de assinar a revisão constitucional. Ora, se assina, tem de concordar – é isso que Cavaco quer sublinhar, dando assim a entender que não terá ficado muito convencido com a proposta do líder do PSD.
Se conhecessem melhor a Constituição, os dois jornalistas do DN saberiam que o n.º 3 do art. 286º dispõe que “O Presidente da República não pode recusar a promulgação da lei de revisão [constitucional].” Exactamente o contrário de “se assina, tem de concordar”. Na realidade, “se não concorda, tem de assinar”. Bem, neste caso, esteve a Rádio Renascença, que transmitiu a interpretação mais correcta das palavras do Presidente.
P.S.: Bárbara, Miguel… acontece aos melhores. No hard feelings.
Já se encontra online o Descubra as Diferenças em que participei com o João Villalobos. Juntamente com o André Abrantes Amaral e a Antonieta Lopes da Costa, debatemos os seguintes temas:
1ª parte:
- Novo governo: Tomou posse o novo executivo socialista. Estamos perante uma renovação, ou ‘está tudo como dantes no quartel d’Abrantes’?
- PSD: Depois da reunião do Conselho Nacional que decidiu a escolha da futura liderança para depois da discussão do orçamento de Estado, continuam as dúvidas quanto ao futuro do PSD.


2ª parte:
- Presidente europeu: O chefe de Governo do Luxemburgo mostrou-se interessado na presidência do Conselho Europeu, mesmo correndo contra Tony Blair. Será o regresso das divisões na Europa que o Tratado de Lisboa queria evitar?
- Violência no Rio de Janeiro: Depois de escolhida para o Jogos Olímpicos de 2016, a cidade do Rio de Janeiro foi palco de uma onda de violência sem precedentes. Estamos perante um caso de polícia ou de um estado de guerra?


Já falta pouco para começar mais uma emissão do Descubra as Diferenças da Rádio Europa, imoderada pela Antonieta Lopes da Costa e pelo André Abrantes Amaral. Hoje foi a minha vez de lá ir com o João Villalobos. Falámos o pior possível do novo Governo, e o melhor possível do PSD. Duas missões difíceis. Também falámos das perspectivas para o novo cargo de Presidente do Conselho Europeu e do olímpico surto de violência no Rio de Janeiro.
Tentámos fazer tudo isto com inteligência, pertinência e humor qb. Quer saber se conseguimos? Sintonize 90.4 FM se estiver na região de Lisboa, ou oiça online aqui. A partir das 18h00.

- Lisboa ao rubro – António Costa e Santana Lopes apresentaram as suas candidaturas à autarquia lisboeta. Numa autêntica guerra de titãs, quem tem mais possibilidades de sair vencedor?
- ASAE inconstitucional? – O Tribunal da Relação de Lisboa considerou que a ASAE tem funcionado contra a lei, por as suas competências terem sido atribuídos de forma inconstitucional. Segue-se o Tribunal Constitucional e de imediato o fim desta polícia de segurança alimentar?
- Obama em África – Contrariamente ao que fez no Cairo, Obama apelou no Gana para que os africanos exigissem bons governos. Se no mundo árabe invocou a cooperação, na África negra defendeu os direitos humanos. Há razões para esta diferença de atitude?
- Caridade de verdade – Numa Encíclica de extrema actualidade, o Papa Bento XVI aponta os valores sociais que devem nortear a vida dos cristãos. Estamos perante a indicação de um novo rumo?
“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.
PODCAST: http://descubraasdiferencas.podomatic.com
EMAIL: descubraasdiferencas@radioeuropa.fm
Emissão também disponível online em
www.radioeuropa.fm ou através da powerbox da ZON TV Cabo.

O convite da Rádio Renascença para debater esta sondagem na companhia de Assunção Cristas, João Tiago Silveira e Paula Sobral Santos levou-me a tentar organizar um pouco o meu pensamento no que respeita à apreciação que faço sobre o estado da democracia portuguesa. Aproveito assim para deixar aqui algumas notas que sintetizam o que disse no programa (pode ouvir aqui).
Os resultados da sondagem divulgada ontem não são nada animadores, mas nem por isso são novos ou surpreendentes. Identifica-se sobretudo uma relação dos cidadãos com o sistema político – e em particular com os partidos – marcada pela desidentificação, pela desafeição, pela distância e pela desconfiança. Os inquéritos apresentados por Pedro Magalhães e Mariano Torcalnum artigo recente revelam por outro lado que os portugueses apoiam generalizadamente a forma democrática de governo – em abstracto – mas têm um baixo nível de satisfação com a democracia em concreto.
A minha conclusão é que os portugueses são democratas e querem mais e melhor democracia; mas não estão satisfeitos com a forma como a democracia funciona, nem confiam nas suas instituições e agentes. Reforçar a confiança nas instituições e nos agentes políticos, e aumentar a satisfação com os resultados que o sistema democrático oferece aos cidadãos – são esses os grandes desafios da nova etapa que tem de se abrir na vida democrática portuguesa.
Soluções para esses desafios? ficam para outros posts.

O convite da Rádio Renascença para debater esta sondagem na companhia de Assunção Cristas, João Tiago Silveira e Paula Sobral Santos levou-me a tentar organizar um pouco o meu pensamento no que respeita à apreciação que faço sobre o estado da democracia portuguesa. Aproveito assim para deixar aqui algumas notas que sintetizam o que disse no programa (pode ouvir aqui).
Os resultados da sondagem divulgada ontem não são nada animadores, mas nem por isso são novos ou surpreendentes. Identifica-se sobretudo uma relação dos cidadãos com o sistema político – e em particular com os partidos – marcada pela desidentificação, pela desafeição, pela distância e pela desconfiança. Os inquéritos apresentados por Pedro Magalhães e Mariano Torcal num artigo recente revelam por outro lado que os portugueses apoiam generalizadamente a forma democrática de governo – em abstracto – mas têm um baixo nível de satisfação com a democracia em concreto.
A minha conclusão é que os portugueses são democratas e querem mais e melhor democracia; mas não estão satisfeitos com a forma como a democracia funciona, nem confiam nas suas instituições e agentes. Reforçar a confiança nas instituições e nos agentes políticos, e aumentar a satisfação com os resultados que o sistema democrático oferece aos cidadãos – são esses os grandes desafios da nova etapa que tem de se abrir na vida democrática portuguesa.
Soluções para esses desafios? ficam para outros posts.