Artigos do tema renovação

CDS

18 de Junho de 2009 | Portugal

O CDS está a dar o tudo por tudo neste ciclo eleitoral. Primeiro com a aposta em Nuno Melo, o deputado mais visível na bancada centrista nestes últimos quatro anos. Agora com a escolha dos cabeças de lista para as legislativas. Sublinho duas novidades que me parecem ter particular significado político: a candidatura de Assunção Cristas em Leiria, e a candidatura de Ribeiro e Castro no Porto. No primeiro caso, um claro sinal de renovação e meritocracia. No segundo caso, um claro sinal de abrangência e de unidade. Nos dois casos, uma clara percepção de que o CDS não pode continuar a ser o partido de um homem só se quer manter uma posição minimamente relevante no panorama partidário português. A minha aposta é que, mais uma vez, o CDS vai consegui-lo.

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Gerações políticas

23 de Dezembro de 2008 | PSD

A coluna – perfeitamente esquecível – que Fernanda Câncio escreveu sobre a vida interna do PSD teve o mérito de despoletar esta reflexão- essa sim, imperdível - de Paulo Querido. Abstraindo da focalização em Pacheco Pereira, a verdade é que Paulo Querido tocou num ponto essencial: a (falta de) renovação das elites dirigentes do PSD. Porque bem vistas as coisas, o poder partidário no PSD tem estado nas mãos de pessoas politicamente activas praticamente desde a fundação do regime democrático.

Até à eleição de Manuela Ferreira Leite, quem acedia à liderança do PSD eram por regra homens na casa dos 40 – excepção feita à liderança transitória de Rodrigues dos Santos. Como o partido não tem sido particularmente simpático para quem não ganha eleições, um normal processo de renovação geracional deveria estar mais do que assegurado. Mas a verdade é que esse processo não evitou que a geração que chegou à idade adulta nos anos 60/70 se tenha eternizado no poder.

O que se entende: no pós-25 de Abril, a direita portuguesa foi em larga medida decapitada. O que surgiu no seu lugar foi um espaço político dominado por uma geração de quadros abaixo dos 40 anos. Acoplada a essa geração apareceu uma outra, ainda mais jovem, que tripulou as governações da AD, do Bloco Central e dos governos cavaquistas. E o normal aconteceu: essa geração tomou conta do partido após a saída de Cavaco Silva.

Fê-lo ainda jovem, mas já com uma experiência política e governativa assinalável. E depois de uma razoável cura de oposição, logrou chegar ao poder. Mas aí, as coisas correram mal: a experiência foi interrompida ao fim de três anos, e o PSD foi remetido à oposição com os mesmos protagonistas com que tinha chegado ao poder. Em 2005, a ex jovem guarda envelhecera, mas estava ainda bem longe de ser velha. Foi portanto com naturalidade que todos assistiram à sua perpetuação no topo do partido, através de Marques Mendes, de Luís Filipe Menezes, e agora na entourage de Manuela Ferreira Leite.

À sombra da actual geração de dirigentes partidários do PSD, não há nenhuma geração que tenha tido o estágio político e governativo que estes tiveram. Esse estágio, estão a fazê-lo agora os jovens turcos socialistas. Mas isso não é razão para menosprezar o sangue novo: na verdade, quem fez as melhores horas do PSD foi uma geração que chegou às mais altas responsabilidades sem prévia experiência governativa.

Em 2009, será ainda a vez de a geração que chegou à idade adulta em nos anos 60/70 disputar o poder. Se – como o espero – merecer a confiança do eleitorado, poderá concluir o que deixou incompleto na sua anterior experiência governamental. Mas se falhar, a geração que nasceu nos anos 60/70 deverá assumir as suas responsabilidades. Felizmente, há boas indicações de que ela será perfeitamente capaz de o fazer.

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