Artigos do tema twitter

Ultraje ao República

3 de Setembro de 2009 | 31 da Armada

 

Este já não é o PS de Raúl Rego.

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Calha mesmo mal

10 de Agosto de 2009 | 31 da Armada

 

Carlos Zorrinho vai abrir as Conferências TED em Portugal, no próximo dia 18 de Setembro, interrompendo assim a sua campanha eleitoral em Évora apenas a 9 dias de eleições. Fontes próximas do orador asseguram que o tema da sua intervenção será "Como Fazer Transmissões Online Bem Sucedidas". É verdade que o Coordenador do Plano Tecnológico tem currículo na matéria.

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A #blogconf organizada pelo deputado do PS Jorge Seguro e moderada pelo jornalista Paulo Querido, em que José Sócrates debateu com 20 bloggers na passada segunda-feira, ficou marcada pela ausência de transmissão vídeo em directo, não obstante terem sido reunidas as condições técnicas para que ela tivesse lugar (equipa de filmagem com 3 câmaras e serviço de transmissão da responsabilidade do SAPO). No meu anterior post sobre o assunto, tinha apurado o seguinte sobre o sucedido:

  1. A transmissão online da #blogconf estava prevista desde o início do evento.
  2. A transmissão online foi iniciada e interrompida nos minutos que mediaram a chegada de José Sócrates ao local.
  3. Foram alegados problemas técnicos para justificar a interrupção, tendo havido pedidos de desculpa dos organizadores pelo facto.
  4. A responsabilidade do SAPO foi posta fora de causa, tanto pela equipa técnica como por fontes próximas da organização.

Nesse mesmo post, coloquei as seguintes questões à organização, SAPO e gabinete do Sr. Primeiro-Ministro:

  1. Se o SAPO não é responsável pela interrupção da transmissão online, qual foi a causa que originou a interrupção?
  2. Porque razão não foi possível reparar essa mesma causa?
  3. Estavam ou não previstos planos de contingência para o caso de uma falha técnica? Se sim, porque não foram activados?
  4. Se a interrupção da transmissão da #blogconf não foi responsabilidade do SAPO, em que medida se pode dizer que se tenha tratado de uma falha técnica?

Não obtive respostas directas. No entanto, tanto SAPO como organização se pronunciaram parcialmente sobre as questões colocadas em declarações públicas.

  1. Em declarações ao Público (29.07.09, p. 6), Jorge Seguro remeteu a causa da interrupção da transmissão online para um "problema técnico na régie" e uma "falha na recolha de imagem" pela empresa contratada pelo PS. Confrontado por mim com a questão de haver imagens recolhidas, o que poderia contradizer as suas declarações, Jorge Seguro adiantou que "o que me foi dito pela empresa era na saída, não na recolha". Na mesma peça, o SAPO afirma que os motivos da interrupção lhe são alheios.
  2. Não houve resposta a esta questão.
  3. Não houve resposta a esta questão.
  4. A falha descrita por Jorge Seguro é de natureza técnica, pelo que se pode considerar a questão respondida.

Face à informação reunida, e fazendo fé nas declarações dos diferentes intervenientes no processo, a conclusão que se pode tirar é que tudo estava a correr bem até que uma falha técnica ocorreu precisamente no momento em que José Sócrates entrou na sala onde iria decorrer a #blogconf. Falha técnica imputada pela organização a uma empresa contratada pelo PS. Empresa cujo nome não foi evocado e que não fez até agora declarações públicas sobre o sucedido. Não terá passado tudo de um grande azar, portanto. Um grandessíssimo azar.

 

Adenda: o vídeo integral da #blogconf está aqui.

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Decorreu hoje a #BlogConf, conferência em que o Primeiro-Ministro foi interrogado por 20 bloggers da nossa praça, entre os quais Rodrigo Moita de Deus em nome do 31 da Armada. No site oficial da conferência encontra-se a seguinte informação:

A BlogConf terá transmissão web aberta, graças ao SAPO.pt

A transmissão, no entanto, foi interrompida pouco depois do seu início. Eis como António Costa Amaral, um dos bloggers que assistia à distância, relata o sucedido:

17:40 - nem imagens nem som - "Por motivos técnicos interrompemos a transmissão."

17:38 - afinal agora há imagens, o Sócrates entra no recinto

17:33 - chego atrasado ao computador. riscas coloridas. terei isto mal configurado?

A mira técnica usada para substituir a transmissão ao vivo pode ser vista aqui. Durante várias horas, não se falava de outra coisa no twitter (atenção: linguagem em uso figurativo). Algumas explicações dos organizadores:

Carlos Zorrinho: Lamento não estar a ser possível a transmissão "webcast" mas quem faz disso a questão central está afectado de "deslumbramento" tecnológico!

Jorge Seguro: Peço desculpas por não conseguirmos colocar online a #blogconf . Faremos todos os possíveis para a colocar online, o mais cedo possível.

Paulo Querido: eu não sei ainda o que falhou, mas assim que souber, explicarei sucedido,. na medida do que for possível

Note-se que Carlos Zorrinho é o coordenador nacional do Plano Tecnológico, que todos os possíveis de Jorge Seguro não chegaram para restabelecer a transmissão em directo, e que ainda esperamos as explicações possíveis de Paulo Querido.

Entretanto, confrontada com a questão, Maria João Nogueira, responsável do SAPO, afirmou o seguinte: Se há coisa que eu não digo (por não ser verdade) é que o #fail tenha sido nosso. Do nosso lado estava tudo ok e a postos. Também Rui Grilo, dado como co-organizador do evento por Jorge Seguro, asseverou: A @jonasnuts e o @sapo não tiveram culpa nenhuma na falha de transmissão da #BlogConf.

Recapitulemos agora o que está factualmente estabelecido:

  1. A transmissão online da #blogconf estava prevista desde o início do evento.
  2. A transmissão online foi iniciada e interrompida nos minutos que mediaram a chegada de José Sócrates ao local.
  3. Foram alegados problemas técnicos para justificar a interrupção, tendo havido pedidos de desculpa dos organizadores pelo facto.
  4. A responsabilidade do SAPO foi posta fora de causa, tanto pela equipa técnica como por fontes próximas da organização.

O que se sabe sobre este caso leva a colocar as seguintes questões:

  1. Se o SAPO não é responsável pela interrupção da transmissão online, qual foi a causa que originou a interrupção?
  2. Porque razão não foi possível reparar essa mesma causa?
  3. Estavam ou não previstos planos de contingência para o caso de uma falha técnica? Se sim, porque não foram activados?
  4. Se  a interrupção da transmissão da #blogconf não foi responsabilidade do SAPO, em que medida se pode dizer que se tenha tratado de uma falha técnica?

Estas questões merecem uma resposta de todos os envolvidos: organizadores, SAPO, e naturalmente do gabinete do Sr. Primeiro-Ministro.

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Pague um, leve dois?

15 de Julho de 2009 | 31 da Armada

À primeira vista, a união de Costa e Roseta é um bom negócio para o eleitor de esquerda: uma espécie de vote num, leve dois.

 

Mas será mesmo assim? É que esta tarde, Helena Roseta afirmou que "se António Costa sair da Câmara eu garanto que ele será substituído por uma pessoa do PS". E confrontada com a impossibilidade de o fazer sem sair da Câmara, a sua candidatura respondeu que "Nesse caso Helena Roseta suspenderia o mandato."

 

O que significa que, se Costa sair - por exemplo para substituir Sócrates na liderança do PS - Roseta sai com ele. Isto não é vote num, leve dois. Isto é vote em dois, e fique sem nenhum.

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Hoje é sexta-feira: dia de #followfriday. Há apenas dois meses, logo à uma da manhã a minha timeline estaria inundada de tweets marcados com o #hashtag mais famoso do universo – se descontarmos o nosso #deb15. Mas agora o arranque é mais preguiçoso, e já não se chega à exuberância de outros tempos. O que levou o @JGAndre a concluir que o #followfriday está em crise. It’s sooooo 1st semester, digo eu.

O que terá contribuído para a decadência – pelo menos entre nós , portugueses – deste simpático ritual de referenciação? Desde logo, o seu próprio sucesso. O que é de mais acaba por cansar. Mas também o facto de a sua estrutura de incentivos potenciar um uso saturante do instrumento. Explico-me: supostamente, o #followfriday destina-se a indicar pessoas interessantes de seguir a terceiros. Isto é, trata-se de uma forma de alguém acrescentar valor à rede dos seus seguidores, indicando-lhes novas pessoas a seguir. Essa é a lógica global do conceito.

A lógica individual, no entanto, é outra. O tuiteiro, como qualquer ser humano, pretende antes de mais maximizar a sua utilidade. Como se faz isso no twitter? Dando à comunidade, para receber dela. Só que a comunidade não é propriamente uma multidão atomizada para a maior parte de nós: trata-se de um conjunto relativamente estável de pessoas com quem vamos estabelecendo relações. É aí que começam a entrar em jogo factores que viciam o #followfriday.

Um deles é o seu carácter repetitivo. Se a comunidade de um determinado twitter é relativamente estável – digamos que passa de 260 para 267 seguidores numa semana – é pouco provável que ele tenha muitos novos #followfridays a dar. No entanto, não deixa de os dar. Porquê? Porque aí entra o segundo factor: a personalização das relações. Se tal pessoa me deu um #followfriday, poderei deixar de lho retribuir? E por aí adiante.

Entra-se portanto num mecanismo de inflação dos #followfridays, em que todos os participantes vão aumentando o número de pessoas que referenciam para não assumirem os custos de ferir esta ou aquela susceptibilidade. Claro que assumem o custo de saturar toda a sua comunidade, mas esse é um custo mais difuso, menos identificável a princípio.

Nos #followfridays como na moeda, a inflação desvaloriza a divisa. Bem me lembro da emoção que foi quando se fez o primeiro ranking de #followfridays, neste mesmo blog. Hoje em dia, who cares? Por isso mesmo, estamos a chegar à fase do #followcrunch, em que muitas pessoas pura e simplesmente deixaram de participar no jogo: não fazendo #followfridays, evita-se o custo de excluir alguém, e também o de saturar a comunidade, o que compensa face ao rendimento decrescente da participação.

Há futuro para o #followfriday, ou irá este morrer após alguns meses de dominação twundial? Veremos se as tentativas de tornar o #followfriday mais qualificado, selectivo e fundamentado vingarão. Mas a vingar, terão sempre uma expressão muito menor que a do #followfriday maciço dos tempos áureos. É que dão trabalho, e isso é uma coisa  de que os bons tuiteiros não gostam muito…

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